quarta-feira, junho 28, 2006

Sem palavras...



Como diz o velho ditado: Uma imagem é melhor do que mil palavras...

A fotomontagem recebí por email. O autor parece ser o identificado.

domingo, junho 18, 2006

O inimigo dentro de casa


Tenho tentado, de várias formas, manter uma postura positiva enquanto observo como as instituições políticas e seus personagens vêm se deteriorando no Brasil. Mas confesso não tem sido fácil.
Escuto, diariamente, as mais variadas pessoas lamentarem as notícias de corrupção, de criminalidade, a ausência total de ética, a impunidade reinante, o esbulho tributário, o massacre burocrático e assim por diante. Geralmente acabo contribuindo com a minha dose pessoal de queixas, tentando conferir alguma racionalidade à chorumela, procurando encontrar uma lógica para as nossas mazelas e contribuir com alguma proposta para que se vislumbre uma solução.
Mas temo que, ao recusar a indefectível frase que costuma suceder a esses lamentos – “este país não tem mais jeito” – eu acabe parecendo ingênuo ou sonhador, tal o volume do mal- estar que se apodera de qualquer pessoa, medianamente sensata, vivenciando o cotidiano brasileiro.

A semana passada, diante de nova notícia de um triste episódio, não pude escapar a mais uma lamentável analogia com a política. Havia acompanhado, com náusea, as notícias do caso da garota que planejou e ajudou a matar os pais a pauladas. As discussões jurídicas são bizantinas: prorrogar ou não a prisão preventiva; prisão domiciliar; guarda da herança, etc.. A maior dúvida jurídica parecia se referir a insistência de parte dos advogados para que sejam separados os julgamentos. Se dermos uma leve espanada nas firulas é claro que a realidade é apenas uma: trata-se de um crime monstruoso, o assassinato de duas pessoas dormindo, idealizado pela perversidade da própria filha e por motivação óbvia: sexo, drogas e deformação moral. Tudo mais é conversa fiada de advogados.

No mesmo noticiário aparecem as cenas da invasão do Congresso Nacional por uma horda, aparentemente alucinada, mas certamente dirigida, com paus e pedras destruindo tudo que vêem pelo caminho. Trata-se, obviamente, de um “movimento social”.
Na verdade, o que choca na cena é vê-la ao vivo e em cores, porque episódios como esse têm ocorrido neste Brasil de MSTs em quantidade crescente. Nós pagamos por eles, querendo ou não! Esses desordeiros impunes vêm sendo, de longa data, cevados com verbas públicas! O que podemos esperar quando o partido do governo e as lideranças dos “movimentos” se confundem e se sobrepõem?

A propósito, muita gente pensa que foi uma gafe cometida porque comprometeria a imagem do governo e do seu partido num momento inoportuno. Eu também gostaria que fosse, mas infelizmente está mais para uma técnica de intimidação do que qualquer outra coisa. Logo ouviremos dizer que “somente Lulla” é capaz de controlar esse pessoal de ânimo mais exaltado.

Voltando a analogia, a triste história da Justiça no Brasil nos indica que, por mais banais ou horrorosos que sejam, o que passa logo a prevalecer sobre os crimes, não é a sua essência, a sua veracidade. São, na esfera pública, além do estrito corporativismo entre os poderes e a troca deslavada de favores, os ritos, os formalismos processuais, sempre embebidos no labirinto das condescendências, das procrastinações que, ao fim, sabemos aonde vão dar: em nada! Ou, no máximo, numa punição incrivelmente modesta para o fato. Neste país, feito para os réus, para os contraventores da lei basta ter um advogado esperto e dinheiro para pagá-los. O que temos, na verdade, é um país onde crime e castigo guardam uma relação apenas acidental, o que leva, obviamente, os criminosos a se tornarem cada vez mais auto-confiantes e a maioria dos cidadãos desnorteados e ao desalento.

Ora, que uma filha pervertida e dois canalhas cometam um assassinato com olhos na herança é uma coisa horrível, mas possível de entender em razão do próprio qualificativo dos autores. O que me assusta é que o nosso sistema jurídico, além de começar a julgar o caso somente três anos e meio depois, permita que os advogados possam adiá-lo simplesmente ao retirem-se do recinto. Isso é um acinte e uma barbaridade contra a sociedade tão grande quanto o crime cometido.
Da mesma forma, pode ser difícil cobrar bom senso de analfabetos e sociopatas que, aliciados por qualquer bolsa-esmola são levados a vandalizar propriedades públicas e privadas. Mas que os responsáveis pelas nossas instituições se omitam escandalosamente e que gente supostamente normal vá se acomodando sem reação a tais coisas, achando maneiras de fingir que elas não têm a gravidade que têm, representa a verdadeira destruição.

Assim como os pais assassinados, as nossas instituições também estão sendo assassinadas por terem o inimigo dentro de casa! Os ocupantes dos três poderes da República, com raras exceções, são os inimigos da República!
O que de fato está matando o País é a destruição do caráter! Estamos nos tornando (sendo otimista concedo um gerúndio) uma nação de homens públicos pervertidos e povo desfibrado. Uns pela canalhice e pela cartilha ideológica; outros pela omissão, que se deixam iludir com encenações bobocas e declarações unilaterais de paz; que não expele os cínicos e os caras-de-pau das funções públicas através das quais nos humilham e nos servilizam. A certeza da impunidade que traspassa desde o menor infrator até o próprio apedeuta-mór, que vive rindo à toa confiante nas pesquisas, é um tapa na cara de quem ainda preserva princípios básicos de respeito e decência.
Estou entre os que não acreditam que as pesquisas anunciadas se confirmem, mas se isso acontecer, teremos perdido, coletivamente, a ambição de civilidade e o nosso caráter.

O artigo original é de João Nemo, publicado pelo Mídia Sem Máscara, sob o título: " Matando o País a pauladas". Foi editado significativamente por Freeman.

segunda-feira, junho 12, 2006

Namorar...



É admirar,
é brincar,
é buscar,
é se entregar,
é sonhar,
é compartilhar, 
é sofrer,
é viver...

para a Si,  minha maravilhosa namorada, esposa, e mãe de dois dos meus incríveis filhos...

segunda-feira, junho 05, 2006

Para rir ou para chorar...



Aqui está uma prova irrefutável da qualidade dos nossos políticos!
É um vídeo simplesmente imperdível! Não sei se é para rir ou para chorar.
Você decide...

domingo, maio 28, 2006

Os Governos de Esquerda...


Uma das coisas mais infernais que nós cidadãos razoavelmente letrados e informados passamos é ter que ouvir as explicações dos ideólogos esquerdistas para seus próprios fracassos, enquanto governantes. Além de chegarem ao poder, via de regra, por meio de mentiras e da demagogia populista, tomam-nos por burros, beócios incapazes de enxergar a realidade. Em alguns casos, que parece ser o do ex-ministro Bresser Pereira, cujo artigo quero aqui comentar, acho que os beócios são eles mesmos e, incapazes de compreenderem a realidade política, passam a fazer uma xaropada de discursos incompreensíveis e incompatíveis com a realidade que se apresenta ao observador. Essa gente como que flutua fora do tempo e do espaço, qual fantasmas. O mito da caverna de Platão dá bem a medida de como eles percebem as coisas, como sombras que vêem invertidas e que não conseguem compreender, mas insistem em nos explicar com a sua visão distorcida.
Antes de entrar no texto propriamente dito, quero aqui sublinhar os pressupostos que estão na cabeça dos intelectuais esquerdistas, que os faz de esquerda enquanto tal:
1- Ser de esquerda supostamente ser bom, é chique e estar de acordo com a busca do bem-comum. Por exclusão, ser de direita é supostamente todo o seu oposto;
2- As teorias econômicas e sociológicas que usam são aplicáveis e o supremo bem é a arbitragem da distribuição de renda, via Estado. Esquecem que suas teorias são impraticáveis e, se postas a funcionar, destroem qualquer país. A História está aí para quem quizer comprovar. Esquecem também que as leis econômicas existem a despeito das ideologias e administrar, por exemplo, moeda e câmbio, ou seja, os preços, só pode ser feito de uma única maneira, sendo a alternativa o desastre;
3- O socialismo é um ideal que pode não ser alcançado agora, mas deve ser uma meta permanente a alcançar, como se fosse o supremo bem. Esquecem que socialismo, em qualquer grau, é a desgraça da raça humana, pois castra a liberdade individual nivelando todos por baixo e concentrando na mão de poucos burocratas o poder de decidir o que é bom ou não para você;
4- Por fim, o auto-engano mais espetacular, que é achar que o não cumprimento do engodo que são suas promessas de campanha eleitoral é tornar-se de direita. Uma ova! Ser de direita consiste em ir mais além do que respeitar as leis econômicas fundamentais: é ser liberal em matéria econômica – reduzindo efetivamente o Estado e garantindo a liberdade de produção e comércio – e conservador em matéria jurídica e de costumes, coisas que a esquerda abomina.
Num artigo publicado em 8 de Janeiro, na Folha de São Paulo (“O paradoxo da esquerda”) Bresser Pereira, candidamente, afirma que “no Brasil, a esquerda ganha eleições, mas não governa”. Isso é um embuste. O Brasil tem um partido de corte revolucionário no poder, pratica uma política econômica distributivista que já vem desde a era FHC (e mesmo de antes, do governo Sarney), com tributação escorchante e um magote de desocupados vivendo à custa de quem trabalha, um pleno viés socialista. O governo do Brasil é de esquerda, pois de esquerda são os partidos que compõem a base governante, pelo perfil operário de seu presidente, pelo fato de estar no poder a elite sindical que de fato manda no país.
Bresser diz que o governo Lula não é de esquerda porque não reduz a taxa de juros, como se o governo unilateralmente pudesse determinar esse preço tão fundamental. Há muitos elementos de determinação para o nível da taxas de juros praticadas, a começar pelo tamanho da dívida pública, pela irresponsabilidade fiscal acumulada ao longo de gerações, pelas muitas moratórias “soberanas” declaradas em passado não muito distante. Reduzi-las arbitrariamente seria jogar o Brasil em uma aventura de alto risco, como tem sido feito muitas vezes, inclusive na época em que o ex-ministro comandava o Ministério da Fazenda. O Estado pode muito, mas não pode tudo, muito menos abolir as leis econômicas.
Outra grande besteira escrita por ele é que “uma sociedade civil como a da Suécia é democrática, enquanto a do Brasil é elitista”. Qualquer governo de qualquer sociedade é elitista, pois sempre é uma elite que governa, um evidente pleonasmo. Há democracia quando há alternância nessa elite dirigente, pelo voto, a cada período. O problema é esse, que Bresser não enxerga: que a nossa democracia é de aparência, na medida em que não existe uma direita política eleitoralmente viável organizada no país. Aqui o engodo consiste na falsa alternância entre mais esquerda (PT) e menos esquerda (PSDB) e no passado, de qualquer combinação esdruxulo-intervencionista, tudo menos de direita ou liberal. De fato, temos uma falsa democracia porque o sistema partidário só contempla um lado do espectro ideológico.
“O desafio da esquerda, obviamente, não é implantar o socialismo, mas governar o capitalismo melhor do que os capitalistas”. Essa frase é lapidar. É a síntese do que está na boca dos que abraçam a social-democracia, aqueles que historicamente abrem alas para a passagem do bloco dos “verdadeiros” revolucionários. A lei de ferro da conquista do poder das esquerdas é que inevitavelmente ela tem que caminhar para a opção totalitária. A social-democracia sempre chega antes. Não basta às esquerdas a hegemonia parcial que o processo democrático garante. Tem que conquistar o poder totalitário. De passagem, é preciso lembrar que é um grande mito das esquerdas dizer que os capitalistas governam. Nunca foi assim. O Estado sempre esteve na mão da elite burocrático-política, não dos empresários, esses carneiros acovardados que são roubados cotidianamente pelo excesso de regulação e de impostos. Que são sistematicamente encurralados e humilhados pelo mais reles dos agentes estatais. Freqüentar uma DAMF é bastante ilustrativo e didático para saber que realmente manda por aqui. É lá que os empresários fazem a sua genuflexão ao deus Estado.
Ter uma burocracia apartidária virou um sonho há décadas, que a nossa plutocracia nem mais acalenta. Perdeu o Estado definitivamente, se é que algum dia o teve. No período varguista mandavam os agentes burocrático-políticos, que ainda tinham algum respeito pelos que produzem riquezas, pois a ideologia distributivista ainda não era dominante. A partir de 1964 a burocracia militar passou a ditar as regras diretamente. Na assim chamada Nova República houve uma mera substituição dos militares por burocratas civis, estes muito mais burros e mais revolucionários.
O artigo de Bresser Pereira pode ser considerado uma síntese das inverdades que habita a cabeça de grande parte da chamada social-democracia, mistificando e ocultando a verdadeira realidade da política nacional.

Este é um excelente artigo do Nivaldo Cordeiro, publicado pelo "Mídia Sem Máscara" em Janeiro último e editado por Freeman.
A pintura, que não podia ser mais apropriada, é de Candido Portinari - Os retirantes de 1944.

quarta-feira, maio 17, 2006

Quero respeito, senhor Presidente!









Mensaleiros em quadrilhas oficiais nos secam a crença na boa fé humana, ultrapassando todos os limites da decência. Nossa liberdade e, nossas vidas estão em constante risco. Nossas Instituições estão em frangalhos.
Nos desnudam, diariamente, da soberania como cidadãos!
Ficamos nus, e sem o menor pudor, riem dos nossos pudores.
Precisamos rasgar a Constituição, queimá-la. Afinal ela parece ser apenas uma peça achincalhada, simples registro para os anais da imoralidade brasileira. Começando pelo extremo despudor com que ela é desrespeitada justamente pelos que têm a obrigação primeira em resguardá-la.
Comecemos por eliminar o Art 1º, onde está escrito que nosso Estado Democrático de Direito tem como fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e ao pluralismo político.
O Art. 5º é apenas, como tantos outros, pura ficção, pois há muito não podemos ir e vir livremente. Os grandes centros estão dominados pelos marginais, oficiais ou não.
A nossa Constituição é uma falácia, um simples sofisma para os políticos. Se vivêssemos um Estado de Direito, nenhum indivíduo, presidente ou cidadão comum, estaria acima da Lei. Isonomia? Isso é ridículo! A Lei é para os inimigos! Os amigos estão dispensados dela, orientados e defendidos por advogados de porta de cadeia, travestidos de ministros nos mais altos poderes da República. Leis? Existem sim, mas apenas como decoração. Aliás, como quase tudo na esfera oficial. Seguem a Lei apenas aqueles que ainda se imaginam cidadãos, que ainda nutrem a ilusão de viver em uma nação civilizada e que insistem em acreditar que a sua dignidade como pessoa humana é respeitada pelo Estado.

Este, senhores, é o país dos réus! Não é à toa que criminosos internacionais aqui se abrigam! É o país onde transformaram a chicana em sinônimo de direito à defesa...Tornou-se o país onde “direitos humanos” significa apenas e exclusivamente a proteção a marginais e esquerdistas...
Ter a soberania como fundamento do Estado significa que dentro do nosso território não se admitirá força outra que não a dos poderes juridicamente constituídos. Aqui temos o MST, um bando de desocupados, iludidos por uma pequena corja de marxistas quadrilheiros, sustentados com o dinheiro público!
Uma Nação meio soberana ou de soberania relativa, não é uma Nação.
Qual é esse pluralismo político que se refere a Constituição? Vivemos em um país onde os partidos políticos são comercializados por homens rasteiros que se vendem, e por imorais que os compram!
Servidores públicos? Esta é outra piada de mau gosto. Os brasileiros estão há muito tempo escravisados por uma "entourage" arrogante que os mantem em filas intermináveis de serviços públicos cada vêz mais degradantes.
O que somos? Um amontoado de pessoas que se une apenas em copas mundiais de futebol? Se formos isso, então não somos nada!
E o que devemos fazer? Esperar a hora que o limite da nossa resistência nos impulsione a partir desta maravilhosa terra, mas que tem como pai – Estado o pior dos padrastos? Que além de sugar os seus filhos - cidadãos, os tornam indignos, ultrajados, sujos pela ascendência?
Quero respeito. Quero a chance de ver prosperar meu trabalho. E não ver que, com o meu suor, florescem bandos de quadrilhas oficiais em qualquer recanto da Nação. Quero a oportunidade de criar meus filhos e conhecer meus netos. Quero poder sair do meu país sem ter vontade de ficar por lá.
Quero sentir orgulho da minha pátria! Mas orgulho da alma para dentro e não da boca para fora! E não vergonha, por ser ela uma nação sem caráter.
Quero respeito, senhor Presidente!
Não quero mais viver em uma nação meia-boca, que faz do seu povo cidadãos meia-boca, um país que envergonha e puni os de bem, protege e enaltece os canalhas, os criminosos de qualquer espécie...
Permanecer aqui está se tornando muito mais que um ato de coragem, está se tornando falta de amor próprio a ponto de se submeter à degradante condição de refém dos fragmentos desta república sem-lei, sem moral e sem Justiça!

O artigo original é de Adriana Vandoni, publicado pelo blog de Diego Casagrande. Foi editado, signitivamente, por Freeman. Poderia ser uma carta dos brasileiros indignados para os presidentes da República; do Congresso e do STF.
A capa do NYT Magazine: Lula herói? demonstra que até os esquerdistas do New York Times não nos levam a sério.

segunda-feira, maio 01, 2006

Nossos Políticos, nossas Instituições...

Muito bem! Por mais que o coração queira prevalecer, temos que voltar à realidade.
E, não sei bem por quê, esta foto me lembra os nossos políticos e as nossas instituições (com raríssimas exceções, é claro).
Reparem: não só pela simpática figura, em primeiro plano; mas também e principalmente pela sugestão do cenário. Estático; árido; triste!
Estático, de um imobilismo atroz em relação à ações para o real desemvolvimento e progresso do país; árido de idéias, no aprimoramento das instituições democráticas e triste, pelo escárnio oficial em relação a ética e pela absoluta falta de justiça reinantes...
Querem mais realidade? Leiam isto e mais isso...

A foto, emprestei faz muito tempo, creio eu, do ótimo site da Rosário: Impressões e Intimidades.

domingo, abril 23, 2006

Onde está você?


Onde estão esses lábios, que primeiro, só de relance sob a chuva, vi chegar...
Onde estão aqueles lábios que, com palavras amorosas, conquistaram-me, sem pensar.
Onde estão os teus beijos ardentes, que como um sopro, uma brisa de verão arrebataram-me de águas fundas, bem distantes, de um outro qualquer lugar.
Onde achar esses lábios novamente, que com ternura desprendida atraia-me num convite regular, como as ondas que se espalham no rochedo, todos os dias, no mesmo lugar...
Muitos anos se passaram e às vezes penso com uma nostalgia quase fugaz, pois um cotidiano transformado em palavras duras, tomaram o seu lugar
Os frutos? Sim ficaram. Não há no mundo mais beleza, mais alegria e mais amor que alguém possa desejar!
Mas continuo a procurar,
Onde está você, verdadeira, dos lábios de mel, que conheci naquela estrada indo para o mar...

PS: Este post é em homenagem ao blog romântico da Saramar; à todas as mulheres românticas e sonhadoras do mundo; e aos poetas e poetizas que fazem, sempre, um bem enorme à nossa alma.

domingo, abril 09, 2006

Divagações de Domingo...





Deveríamos valorizar mais a vida. "Viver" mais a vida! E pensarmos menos sobre ela!
A vida é atividade, ação, realização. Cada uma com sua dose de emoção. E claro, pensamos para agir... Mas, no sentido que falo, passamos grande parte do tempo absorvidos em pensamentos e preocupações. Em reflexões, via de regra, sobre o cotidiano; o que nos cerca; a nossa existência.
A vida é aquilo que passa fugaz entre pensamentos e atitudes e parece resistir a qualquer tentativa de avaliação simultânea. Não se pode controlar; apenas se pode viver. E o viver e o pensar, neste sentido, não se entendem bem, porque pensar é como se quiséssemos reeditar o viver, a cena de um filme que jamais será a mesma...

sábado, abril 01, 2006

2006 - De volta ao Passado

Caros Leitores:
Vejam se há algo familiar neste texto.
Será que os políticos brasileiros são incapazes de mudar o seu comportamento? Será que teremos algum futuro político decente? Será esta a nossa sina?


"31 de Março de 1964"

Creio não ser apenas eu a sentir profunda amargura e decepção com o panorama político da Nação.
Há 20 anos, com o movimento de 31 de março, acalentávamos a esperança de que, finalmente, o “País do futuro”, “o gigante deitado em berço esplêndido”, despertaria.
A expectativa geral que uma nova era diametralmente oposta à demagogia populista, à barganha eleitoreira, ao empreguismo, à ineficiência e à corrupção, estava começando.
Esperava-se, em primeiro lugar, que fosse dada ênfase à identidade de um Sistema de Governo representativo, baseado, sem sofismas, na liberdade individual, no ideal do Estado de Direito, e na doutrina da separação (efetiva) de Poderes. Esperava-se que após breve período, pautado sobretudo pelo exemplo, o processo democrático de escolha e rotatividade no poder fosse restabelecido. E ainda fosse estimulada, pela postura do novo ambiente político, a criação de novas lideranças, que nada tivessem a ver com o passado corrompido e viciado. Tinha-se como certo que o novo governo se pautaria, no mínimo, pela seriedade política e pela lisura, no trato da coisa pública. Parecia ter chegado o tempo de responder a "afronta" do velho general francês: "Ce n’est pás un Pais serieux."
Doce ilusão de um jovem apaixonado pelo seu país! Porque nada disso foi feito!
Todos da minha geração, todos os cidadãos conscientes que criaram o espírito e fizeram florescer o movimento de 64, justamente para dar um basta ao statu quo, da época, estão frustrados. Uma geração inteira acabou sendo alienada sob um falso moralismo. Foi marginalizada da crítica e da participação.
Hoje as semelhanças se confundem pelos que querem perpetuar-se no poder. Só eles, acastelados e guarnecidos por um infinito arsenal de medidas de exceção criadas justamente pelo domínio espúrio do Executivo sobre o Legislativo e sobre o Judiciário, só eles não se aperceberam que massacravam o espírito de 64 e estão completamente divorciados na Nação.
A verdade é que a revolução foi usurpada. Tutelada sob falsos pretextos, degenerou-se, corrompeu-se, faliu como ideal. Faliu também como processo, pois precisou mudar, a cada vez, as regras do jogo político, para parecer vitoriosa. E além do fracasso político, temos o econômico. Crescimento? Sim, houve. Mas à custa de que e de quem? Endividaram este país em cem bilhões de dólares! Ao invés da austeridade e racionalidade preconizadas, seguiu-se a megalomania desenfreada! O Estado avançou em tudo e em todos! Baseado num crescente e escorchante sistema de tributação, que, no final das contas, sobrecai no cidadão produtivo e na livre empresa, criaram uma enorme máquina estatal que, sistematicamente, precisa cobrir rombos das suas grandiosidades inoperantes e dos seus mamutes ineficientes.
Nenhum governo decente sobre a face da Terra, em tempo algum, dispôs de tantos instrumentos de intervenção na economia. E entre a ineficiência e o desperdício floresceu, neste país, uma entourage arrogante, singular, que além da incompetência (O Brasil é uma ilha de prosperidade), primou-se por fazer prosperar as mordomias, a especulação e os escândalos. Como se não bastasse, manipulou dados das contas nacionais e sonegou informações de interesse público. Tudo isso, impunemente, como se estivessem numa monarquia absolutista, ou na ditadura de Moscou.
Será que os governos, pós-Castelo Branco, perderam o apoio da Nação porque as medidas impopulares precisaram ser tomadas?
Não senhores!
Perderam pela insensibilidade, por incompetência, e pela cumplicidade com a impunidade! E não por ironia do destino, mas como conseqüência lógica dessa insensibilidade, estão aí, de volta, inúmeros nomes comprometidos com o passado a gritar palavras de ordem de cunho democrático e de probidade, como se tivessem autoridade moral para isso.
Como bem disse um verdadeiro patriota: José Celso de Macedo Soares Guimarães que, por ousar manifestar a verdade, foi acusado de conspirar contra a segurança nacional.
"Não foi para isso que fizemos a revolução. Muito pelo contrário, foi para sobrepor a lisura pública à corrupção. Foi para permitir a crítica livre e responsável, foi para implantar a eficiência e afastar a incompetência... Foi para criar o progresso dentro da ordem, mas sem sacrificar as liberdades... Foi para restaurar a verdadeira democracia, pois só o exercício continuado de soberania popular aperfeiçoa o comportamento político dos cidadãos..."
Por tudo isso, meus amigos, é que passados 20 anos, aquele orgulhoso 31 de março transformou-se num pesadelo, num gosto amargo, naquela sensação vazia do engodo, de que fomos passados para trás, talvez, na verdade, por um 1º de abril.

Este artigo foi publicado originalmente em 1984.
A pintura é uma outra obra maravilhosa de Velasquez.