Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Sócrates, a Imortalidade da Alma e seus exemplos de conduta.


No ano 399 antes da era cristã, o Tribunal dos Heliastas, composto por representantes das dez tribos que compunham a jovem democracia de Atenas, reunia-se com seus 501 membros para cumprir uma tarefa bastante difícil.

Representantes do povo, escolhidos aleatoriamente, estavam ali para julgar o filósofo Sócrates.

À época, figura controversa, Sócrates era admirado por uns e criticado por outros.

O pensador era acusado de recusar os deuses do Estado, e de corromper a juventude. Corromper, no sentido de questionar seus próprios pensamentos e conhecimentos; de ensinar a enxergarem uma realidade além dos ditames oficiais e do cotidiano mundano.

Sócrates desenvolveu a
arte do diálogo e a maiêutica, conduzindo o questionamento da existência, da procura da verdade no interior do homem.

Seus dizeres " sei que nada sei" representam a sapiência maior do ser humano, reconhecendo a ignorância e a pequenez, diante do universo da existência.

Por isso foi sábio, e além de sábio, deu exemplos de conduta moral inigualáveis.

Viveu na
simplicidade e sempre refletiu a respeito do mundo materialista, dos valores ilusórios dos seres, e das crenças vigentes em sua sociedade.

Frente a seus acusadores foi capaz de lhes deixar lições importantíssimas, como quando afirmou:

"Não tenho outra ocupação senão a de vos persuadir, tanto velhos como novos, de que cuideis menos de vossos corpos e de vossos bens do que da perfeição de vossas almas."

O grande filósofo foi condenado à morte por cerca de 60 votos de diferença.

A
grande maioria torcia para que ele tentasse negociar sua pena, assumindo o crime, e tentasse livrar-se da punição capital, com pagamento de algumas moedas.

Com certeza, todos sairiam com as consciências menos culpadas.

Todos, menos Sócrates que, de forma alguma, permitiu-se ir contra seus princípios de moralidade íntimos. Assim, aceitou a pena imposta.

Preso por cerca de 40 dias, teve chance de escapar, dado que seus amigos conseguiram uma forma ilícita de dar-lhe a liberdade.

Não a aceitou. Não permitiu ser desonesto com a lei, por mais que esta o houvesse condenado injustamente. Mais uma vez, exemplificou a grandeza de sua alma.

E foram extremamente tranqüilos os últimos instantes de Sócrates na Terra. Uma calma espantosa invadia seu semblante, e causava admiração em todos que iam visitá-lo.

Indagado a
respeito de tal sentimento, o pensador revelou o que lhe animava o espírito:

"
Todo homem que chega aonde vou agora, que enorme esperança não terá de que possuirá ali o que buscamos nesta vida com tanto trabalho!

Este é o motivo de que esta viagem que ordenam me traz tão doce esperança."

Sim, Sócrates tinha a certeza íntima da imortalidade da alma, e deixou isso bem claro em vários momentos de seus diálogos. A perspicácia de seus pensamentos e reflexões haviam chegado a tal conclusão. (Imaginem isso, antes da era cristã)

O
grande filósofo partia, certo de que continuaria seu trabalho, de que prosseguiria pensando, dialogando, e de que desvendaria um novo mundo, uma nova perspectiva da vida.

Texto com base no livro O Fédon, de Platão.

Terça-feira, Outubro 13, 2009

O quadrado mágico.



É assim que o Governo Federal alcunhou os quatro integrantes do “Programa de Educaçãoque estará sendo completado com a adoção de um uniforme padrão para todos os alunos das escolas da rede pública do País.

Os três lados existentes são: o programa de livros didáticos, o ônibus e a merenda escolar. Aliás, cada uniforme, cujo custo está estimado em R$100 / unidade, deverá ser fornecido para até 50 milhões de estudantes que integram a rede pública.

Quando, sabidamente, nas escolas públicas a principal deficiência do ensino fundamental e médio é a sua qualidade, parece-nos absolutamente supérfluo, além de um enorme desperdício gastar-se R$5 bilhões/ano para "padronizar" os estudantes. Fora, obviamente, que essa encomenda resultará em uma nova derrama de dinheiro público extremamente útil ao financiamento de campanhas governamentais.

Qualquer cidadão, medianamente esclarecido, sabe que esse volume de recursos seria bem melhor empregado na qualificação e no salário dos professores...

Além disso, seria também melhor empregado na correção dos atuais livros didáticos onde se encontram não só erros absolutamente grosseiros, como também, propositais, tendo como objetivo a mais deslavada doutrinação marxista nas escolas.

O excêntrico da decisão do Governo é a comunicação de que os grandes beneficiários do programa estão na "tecelagem" e no número de empregos que irá criar. Para dar um tom nacionalista ao Programa do Uniforme, poderão participar da "concorrência", empresas brasileiras.

É, realmente, um quadrado mágico onde vão se juntar propaganda política (ano eleitoral), corrupção em alta escala, menosprezo à qualidade de ensino e aos professores. A idéia básica, além dos benefícios eleitorais, é a de criar cidadãos para servir ao Estado, e não o Estado servir aos cidadãos. Não esqueçamos, finalmente, que todos nós pagaremos a conta.

* O artigo está baseado no "comentário do dia" de Arthur Chagas Diniz do INSTITUTO LIBERAL. Está significativamente alterado pelo Freeman.

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

O atraso do atraso...



‘Dividir em raças é idéia reacionária

A entrevista abaixo poderia ter sido dada por um liberal convicto, mas por incrível que pareça, foi dada pelo coordenador nacional do Movimento Negro Socialista (MNS), a única das entidades ligadas ao movimento negro que é contrária à implementação das cotas raciais. José Carlos Miranda, vai na contra-mão das demais organizações. Militante do PT e ex-integrante do Diretório Estadual de São Paulo, Miranda classificou de “um enorme equívoco” a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial pelo Congresso. Nunca tinha ouvido falar d0 senhor Miranda, mas, como podemos ver, toda regra tem exceção: dentro da mediocridade socialista do PT existem alguns indivíduos, ainda, com bom senso.

Eis a entrevista:

O que significa, em sua opinião, a aprovação do estatuto?

A lei consagra as políticas racialistas que conspiram contra a união nacional, ao dividir a população em raças. É uma ideia reacionária, ao contrário do alardeado, e totalmente anticientífica.

Qual é o principal problema do projeto, para o senhor?

Se nós reclamávamos das cotas nas universidades, o que foi aprovado, com cotas nos empregos, é ainda mais danoso. Daqui a pouco, teremos sindicatos só de brancos e sindicatos só de negros, o que contraria tudo o que foi feito no Brasil para unir a população até hoje. O que ficou demonstrado, também, é que os movimentos racialistas, boa parte ONGs subornadas por verbas públicas, mantiveram a cota nas universidades em outro projeto. Haverá uma audiência pública sobre o tema, para o qual só foram convidadas as entidades favoráveis à medida.

Há algo mais a ser questionado em torno desse tema?

Também discordamos da forma como se deu a aprovação, por acordo, sem a participação dos deputados em plenário, até para que soubéssemos qual a opinião deles sobre o assunto. Toda vez que esse tema é discutido, a aprovação ocorre assim, sem transparência ou participação popular.

O que o Movimento Negro Socialista pretende fazer agora?

Nós vamos à luta no Senado, para impedir a aprovação dessa proposta. Acho que nem o próprio presidente Lula entendeu o alcance do projeto. Somos contra a ideia de raça, que trará muitos problemas ao Brasil.

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

O porquê das diferenças...



Uma análise histórica do porquê somos tão mais pobres (e certamente menos livres) que os norte-americanos...

"EM 500 ANOS, OS EUA SALTARAM À FRENTE DA AMÉRICA LATINA AO CONJUGAR CAPITALISMO E DEMOCRACIA. NO MUNDO PÓS-CRISE, COMEÇA A FICAR CLARO QUE ESSE BINÔMIO SE CONSTRÓI MAIS NA POLÍTICA, COM INSTITUIÇÕES SÓLIDAS E PERENES, DO QUE NO MERCADO."

Durante sua primeira e única visita aos Estados Unidos, entre abril e julho de 1876, o imperador dom Pedro II registrou em seu diário um feito que lhe chamou a atenção: o trem que ligava Nova York a São Francisco completara o percurso "em 84 horas e 26 minutos". Três dias e meio, apenas. No Brasil de 1876, a estrada de ferro mais movimentada, cuja extensão era uma fração da ferrovia americana, fazia a ligação entre as plantações de café e os portos do Rio de Janeiro e Santos. Uma equivalente a Nova York-São Francisco no Brasil deveria ligar Porto Alegre a Fortaleza – e ainda faltaria chão. Por que os Estados Unidos, que então comemoravam o primeiro centenário de sua independência, já tinham trens rasgando o país do Atlântico ao Pacífico, enquanto no Brasil a maioria das viagens era mesmo feita em lombo de mula? A questão que se apresentou ao imperador estava no seu nascedouro e, de lá para cá, ficou ainda mais pertinente e intrigante: por que os Estados Unidos, que largaram atrás de tantos países da América Latina, inclusive do Brasil, conseguiram tamanho sucesso, enquanto a maioria da população da América Latina só agora começa a experimentar a vida em padrões pouco acima da linha de pobreza? Por que o "grande irmão do norte" se notabilizou por dois séculos de estabilidade política e social, enquanto os países ao sul do Rio Grande tiveram sua história entrecortada por golpes de estado e experimentalismos econômicos, resultando em um nível de desigualdade obsceno que só rivaliza com o da África?

-----Quem der as respostas definitivas terá achado o Santo Graal do progresso material e social. Enquanto isso não acontece, as explicações para o fosso vão ficando cada vez mais refinadas. Uma delas aparecerá no próximo livro do economista Bruce Scott, da Universidade Harvard, a ser lançado em novembro pela editora Springer-Verlag, de Heidelberg, na Alemanha. Scott mostra que, enquanto nos Estados Unidos se deu o surgimento simultâneo da democracia e do capitalismo, a América Latina teve relação conflituosa com esses conceitos, nunca corretamente entendidos por seus líderes.

-----"A América Latina sofre de falta de capitalismo, e não de capital", diz ele. O economista afirma que o capital, nacional ou estrangeiro, só ruma para um país quando se sente protegido por um conjunto de instituições. É por essa razão, completa ele, que não funcionou o que parecia ser a bala mágica contra a miséria na região, a famosa proposta do peruano Hernando de Soto, apresentada no livro O Mistério do Capital. De Soto dizia que a regularização dos lotes e casebres das camadas mais pobres da população permitiria seu uso como garantia de empréstimos bancários e despejaria bilhões de dólares na economia formal. Não foi o que aconteceu nos países onde a experiência de De Soto foi tentada. O que deu errado? A precariedade institucional. Sem garantias explícitas de, em caso de calote, recuperarem o empréstimo concedido ou o imóvel financiado, os bancos não entraram na dança. Mais desanimador ainda para eles era recorrer à Justiça. As sentenças demoravam, na melhor das hipóteses, oito meses e, na pior, oito anos. Ou seja, sem regras o capitalismo não existe.

-----"A recuperação do valor de um bem é, em última instância, um teste sobre a saúde das instituições capitalistas", diz Scott. "E essas instituições formam um sistema de economia política, não apenas de mercado." Eis uma novidade, sobretudo vinda de um economista: quando se trata de promover desenvolvimento capitalista, a política é superior ao mercado. É na política que se definem as regras do jogo, cabendo ao mercado atuar dentro dessa moldura. Quanto mais democrático for o regime, mais chance terá de criar instituições saudáveis. Com a crise financeira mundial deixando patente a necessidade de mais regulação do que preconizava a era Reagan, parece óbvio afirmar que a política tem um papel a cumprir, mas nem sempre foi assim. O mercado, dizia-se, trazia em si mesmo os germes do seu próprio aperfeiçoamento. A abordagem de Scott inspira-se na corrente mais em voga para explicar o fosso econômico que separa o norte e o sul das Américas: a tese institucional (veja o quadro). Capitaneado por teóricos como Douglass North e Ronald Coase, o novo institucionalismo sustenta que as regras e normas, econômicas e políticas, formais e informais, estão na base do desenvolvimento de uma sociedade. Nos Estados Unidos, desde os primórdios da colonização inglesa, as instituições, que são resultado de negociações políticas, protegem a propriedade privada, zelam pelo respeito aos contratos e leis, garantem o funcionamento impessoal da Justiça, estimulam a prestação de serviços públicos, como hospitais e escolas, para a maioria da coletividade, e não apenas para uma elite.

-----No começo da colonização, a América Latina era mais rica e tinha sociedades mais complexas que a América do Norte. O Brasil, com terra e clima promissores, já tinha vida comercial, com o pau-brasil e depois com o açúcar, mercadoria altamente valorizada na época, enquanto as tentativas de colonização nos Estados Unidos eram um fracasso atrás do outro. Nos primeiros 250 anos da colonização europeia, a América ibérica teve alguma vantagem sobre a América inglesa. Nos 250 anos seguintes, período em que as colônias viraram países independentes e republicanos, o jogo inverteu-se brutalmente. A renda per capita dos americanos e canadenses disparou. De acordo com as contas do cientista político Francis Fukuyama, o ex-ícone do conservadorismo americano e editor de Falling Behind, que trata do desnível entre as Américas, o calendário do fosso foi o seguinte.

-----• Até cerca de 1800, o norte e o sul das Américas evoluíram de modo mais ou menos semelhante.

-----• De 1820 a 1870, período que concentrou as guerras de independência, a América Latina encolheu 0,5% ao ano. Os Estados Unidos cresceram 1,39% ao ano.

-----• De 1870 a 1970, com uma interrupção durante a depressão dos anos 30, a América Latina cresceu até mais do que os Estados Unidos, mas num ritmo longe de cobrir a diferença.

-----• De 1970 até agora, os Estados Unidos voltaram a crescer mais que os vizinhos do sul, aprofundando o fosso.

-----• Em 2001, a renda per capita americana superava 27.000 dólares. A latino-americana não chegava a 6.000 dólares.

-----O Brasil avançou em muitos aspectos, mas ainda é "a eterna promessa de futuro", ora como celeiro do mundo, ora como potência verde, ora com etanol, ora com pré-sal, mas sempre o país em busca de cumprir o vaticínio da aurora redentora. O México progrediu, recuou e voltou a progredir, e ainda duela para superar a frase imortal de Porfírio Diaz: "Pobre México, tão perto dos EUA e tão longe de Deus". A Argentina fez pior. Já tendo sido mais rica que a Suíça, andou para trás. Buenos Aires, cuja prosperidade pregressa deixou rastro nas avenidas e cafés, nos teatros e na onipresença da arquitetura neoclássica, transformou-se melancolicamente no que o escritor André Malraux chamou de "capital de um império que nunca existiu". No início do século XIX, com a dianteira americana se alargando, atribuiu-se o atraso latino-americano ao trauma da conquista colonial, brutal e sangrenta. Em seguida, apareceu a tese da inferioridade cultural e religiosa dos ibéricos católicos em relação aos anglo-saxões protestantes, o que não levava em conta o contraste entre o sul e o norte dos Estados Unidos. Do início do século XX em diante, a esquerda dizia que o atraso era produto do imperialismo americano, e não atentava para o Canadá, que, ilhado pelo império, se a tese estivesse certa, não deveria então ser a potência que já era e segue sendo.

-----Com a peculiaridade de ser a única ex-colônia portuguesa e a única monarquia depois da independência, o Brasil deu origem a teses também peculiares. Quando o conceito de raça ainda era tido como verdade científica, dizia-se que os Estados Unidos haviam saltado à frente porque eram hegemonicamente brancos. O Brasil era atrasado porque era mestiço. (Do Canadá à Patagônia, o Brasil é o país onde se deu a maior diversidade étnica das Américas). Nos anos 30, ainda que muitos não entendessem, a mitologia racial foi pulverizada pelo clássico Casa-Grande & Senzala, do sociólogo Gilberto Freyre, que resgatou o valor do negro na formação brasileira e abriu uma perspectiva de análise mais ampla – cultural, social, histórica. Em 1954, com Bandeirantes e Pioneiros, o escritor Vianna Moog dissecou a natureza da colonização, mostrando que os pioneiros da colônia inglesa desenvolveram um sentimento de pertencimento à nova terra devido às suas atividades produtivas, enquanto os bandeirantes viviam interessados no extrativismo mineral, que era um convite ao desenraizamento. Não há nas Américas dois países tão parecidos como Brasil e Estados Unidos, ambos terra de índios dizimados e gigantes continentais que apostaram na agricultura e na escravidão. Mas, por trás das semelhanças, existem diferenças cruciais.

-----No Brasil, os portugueses, depois de séculos sob a mística da poligamia moura, eram mais disponíveis aos impulsos dionisíacos diante da beleza das índias e das negras. Nos Estados Unidos, os ingleses, puritanos caucasianos, não. Para os portugueses, a mulher era alvo e presa, e até padre católico se esgueirava nas sombras por um chamego de negra. Para os ingleses, a mulher era uma companheira e braço para o trabalho. Os portugueses chegaram sozinhos, sem mulher nem filhos, movidos pelo desejo de enriquecer e voltar à pátria-mãe, vitoriosos. Os ingleses, não. Vieram com família, dispostos a criar uma nova vida na nova terra. Nas pinturas que retratam as primeiras horas do Brasil e dos Estados Unidos, só no norte aparecem mães embalando berços. Os ingleses queriam fundar sua pátria calvinista. Os portugueses estavam em busca do Eldorado. Os ingleses eram colonizadores. Os portugueses, conquistadores. Longe da família, já com a cobiça pela riqueza tomando o lugar antes ocupado pela reverência católica à pobreza, o português, nos trópicos, fez-se outro. Na definição inspirada de Vianna Moog: "Ao forte e exuberante português da Idade Média e das Descobertas sucedeu o outro, mulhereiro, cobiçoso, guloso, onzenário, inventor de receitas de doces, barroco, presa de angústias e daquela tristeza apagada e vil em que já o surpreendia Camões no fim do século XVI".

-----Do caldeirão de diferenças e semelhanças nasceram ordens políticas e econômicas tão diferentes entre o norte e o sul. Mas por quê? As instituições decorrem das condições materiais de cada lugar ou são moldadas pelo interesse do colonizador? Em 2002, os economistas Stanley Engerman e Kenneth Sokoloff mostraram como as instituições refletem as condições materiais. Por exemplo: onde havia terra e clima adequados ao cultivo de cana-de-açúcar o europeu recorreu à escravidão porque precisava de braços para plantar e colher. A Geórgia, no sul dos Estados Unidos, é um caso lapidar. A colônia foi fundada por James Oglethorpe, um reformista social com uma boca feminina e um narigão de corvo, que fez questão de proibir, por escrito, a escravidão. Mas a pressão dos fazendeiros, ávidos pelo braço do negro, levou à legalização do trabalho escravo em apenas uma geração. Eis por que os ingleses eram humanitários no norte e escravocratas no sul dos Estados Unidos, em Barbados e na Jamaica. Na América espanhola, as instituições também foram assumindo formas distintas conforme as condições locais. No Peru, populoso e rico, eram fechadas, controladas pelo colonizador. Na Argentina e no Chile, então mais pobres e menos populosos, o controle colonial era mais frouxo, o que acabou encorajando maior participação comunitária na vida pública.

-----O inglês James Robinson, professor de Harvard, acredita na importância das instituições, mas não as considera resultado direto das condições materiais. Acha que são guiadas pelo interesse do colonizador. Robinson diz que nas colônias ricas e populosas não interessava ao europeu dar direitos civis e econômicos à maioria da população. Foi o que ocorreu na maior parte da América Latina. Já nas regiões mais pobres e com baixa densidade populacional, onde os próprios europeus constituíam a maioria, era interessante ter mais liberdade e proteger direitos de propriedade. Foi o que aconteceu no norte dos Estados Unidos e no Canadá. "As instituições econômicas nas diversas colônias foram moldadas pelos europeus de modo a beneficiar a eles mesmos", diz Robinson. Sejam as instituições produto do meio ou do homem, ou um pouco de cada coisa, é certo que o atraso da América Latina resulta de sua riqueza inicial. É o paradoxo da abundância. A fartura de recursos naturais no raiar da colonização explica as instituições deformadas: exclusivistas, autoritárias, concentradoras. A relativa pobreza do norte da América inglesa, onde a agricultura não convidava à escravidão e a propriedade privada da terra foi multiplicada, é a razão de suas instituições mais funcionais: homogêneas, igualitárias, democráticas.

-----A missão da América ibérica é livrar-se da herança institucional do passado colonial que emperra o crescimento, a radicalização da democracia e a superação da desigualdade aguda. Mas a tarefa é politicamente mais complicada do que parece. As instituições podem ser eliminadas do papel com uma canetada. Outra coisa é desentranhá-las da vida cotidiana. Os Estados Unidos fizeram uma guerra civil para abolir a escravidão, brutal ruptura da ordem política, mas a herança desse período se perpetuou por décadas na segregação racial, até Martin Luther King liderar a conquista da igualdade nos anos 60. Mesmo assim, a tensão racial chegou até os dias de hoje. No Brasil, a elitização do poder político começou na colônia e, apesar da independência, do fim da escravatura, da Revolução de 30, da industrialização, da redução do analfabetismo, da universalização do voto, apesar de tudo, ela ainda está aí. No Nordeste, onde o Brasil nasceu e onde é ainda mais arcaico, o coronelismo, versão atualizada do mando escravocrata, resiste à extinção. O historiador José Murilo de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, encontra as raízes do atraso brasileiro na ausência de rupturas – não por acaso, na maior delas, a Revolução de 30, nasceu o Brasil moderno. A falta de rupturas, diz o historiador, é um problema porque consome o tempo das reformas.

-----Os estudiosos Adam Przeworski e Carolina Curvale, da Universidade de Nova York, calcularam o custo anual de adiamento da independência (165 dólares per capita) e de tumulto posterior (70 dólares), assim considerado o período decorrido entre a independência e o fim do mandato do primeiro dirigente eleito. No Brasil, o custo foi de 12.200 dólares. Ou seja: se o Brasil tivesse ficado independente mais cedo e politicamente estável em seguida, a renda per capita do brasileiro seria hoje 12.200 dólares maior – ou cerca de 20.000 dólares, curiosamente igual à de Portugal. Num país em que Getúlio Vargas virou líder do operariado sindicalizado, e o operário sindicalizado Luiz Inácio Lula da Silva virou líder do lumpesinato, o pendor para as instituições enjambradas é uma dificuldade adicional. Eliminá-las requer a extinção das condições que as criaram. No mundo das reformas, já se tentou até transplantar instituições de um país para outro, como fez a Inglaterra na Índia, mas não funcionou. Por diversas razões, inclusive resistência cultural, a Índia não se deixou impregnar pela ordem inglesa. Eis um favor decisivo: instituições, para produzir efeito, precisam ser absorvidas. É um lembrete útil para a casta de consultores que, regiamente remunerados, se entregam a papagaiar receitas institucionais como se sua aplicação fosse tão natural e inevitável como a lei da gravidade. Sem a intermediação da política, elas não desabrocham.

-----Entre os economistas, sociólogos e historiadores, há controvérsia sobre os fatores decisivos para o desenvolvimento, mas existe o consenso de que, sem educação, não há avanço. E, de novo, a educação é uma construção política. Em 1850, os Estados Unidos já tinham a população mais educada do planeta. No Caribe inglês, as primeiras escolas só foram abertas em 1870, o que explica seu atraso. Em 1950, a renda per capita da Coreia do Sul correspondia a 8% da americana. Em 2000, era metade. Nenhum país latino-americano avançou tanto no último meio século. Nenhum fez, nem de longe, o investimento sul-coreano em educação. No Brasil, a educação, escassa e precária, fincou raízes cedo, sob a influência da atrasada família real portuguesa, que não realizou a reforma religiosa do catolicismo, nem a revolução econômica do capitalismo, nem a revolução científica. Isso se refletiu na falta de democracia, na falta de capitalismo e, é claro, na educação do povo, desastrosa na colônia, no império e nos primeiros 100 anos da República. Dom Pedro II talvez tenha sido o dirigente mais culto da história do Brasil. Tinha curiosidade científica, interessava-se por tecnologia, falava espanhol, italiano, francês, inglês, alemão e hebreu e dizia que, se não fosse imperador, queria ter sido professor. Quando anotou em seu diário, no dia 5 de junho de 1876, que o trem levara 84 horas e 26 minutos de Nova York a São Francisco, talvez não tivesse clareza de que aquilo era fruto da conjunção de democracia e capitalismo na América, mas intuía que o Brasil do lombo de mula já estava em busca do tempo perdido.

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O artigo original é de André Petry, publicado pela "Veja" de 16 de Setembro. Está editado pelo Freeman.

Segunda-feira, Setembro 14, 2009

Independência de quem?




Com sutil razão, passou despercebida pela maioria dos brasileiros, na semana passada, a comemoração do 187ª ano da Independência do Brasil.

A razão é simples: trocamos a metrópole, Portugal, por Brasília e o imperador Pedro por imperadores temporários, mas aspirantes do poder absoluto...

Uma independência verdadeira pressupoe uma mudança de rumo, de atitudes, de hábitos, principalmente do comportamento do Estado. Seria de se esperar uma nova mentalidade dos governantes e dos políticos em geral - como ocorreu, por exemplo, nos EUA, onde a independência representou não apenas uma ruptura político-administrativa com a Inglaterra, mas a criação de um novo e criativo regime de governo, que daria prosperidade ao país e ao seu povo.

Aqui não houve nada parecido. O Império guardou para o futuro todo o conteúdo cartorial, burocrático, paternalista e paralisante do governo colonial. O Brasil deixou de ser colonizado por Portugal e passou a ser colonizado por seus governos...

E tivemos de tudo nesses 187 anos. Conspirações, golpes, tentativas de golpe, fraudes eleitorais, suicídio de frustrado ditador, regimes autoritários, etc.,etc..

Em resumo, uma péssima formação do regime do País, deformado pelo caráter menor dos que, por principio, deveriam zelar pelas mudanças que aprimorassem as insituições e beneficiassem a Nação.

Em primeiro lugar, apoderaram-se e expandiram o patrimonialismo, antes restrito ao imperador. Não satisfeitos, criaram e passaram a guiar-se pela máxima do: "tudo para os amigos e para os não amigos a Lei"; pela intencional complicação burocrática das leis e regulamentos, mesmo para as coisas mais simples, com o propósito de manterem os “súditos” na dependência dos favores do Poder, de qualquer poder, mesmo o do guarda da esquina...

Para manterem as mordomias, os roubos e os desperdícios, criaram a maior carga fiscal existente entre países semelhantes, mas com um pequeno detalhe: nãoqualquer contrapartida decente pelos impostos pagos... E, um Judiciário que anda a passos de cágado, de olho fixo apenas nos autos e cego para a Justiça; por partidos sem programas e sem projetos, aos quais ninguém segue e, por um Congresso que opera sempre dividido entre os sabujos do chefe e os bufões, mas nunca em função dos interesses da Nação e da sociedade.

Tudo isso foi herdado, alimentado e mantido. Nada foi extirpado pela Independência, nem pela República. Não houve nem independência de ideais!

Dos vícios e desvios, o mais cediço é o do "paizão": O GOVERNO.

Qualquer iniciativa, negócio, empreendimento, ideia, por mais importante que seja para os destinos do País, não prospera nem anda um milímetro, sem o beneplácito do imperador do momento, e se acontece, é sempre graças a um intermediário cujos "honorários" são tanto mais elevados quanto mais elevado ele se situe na corte ou nas boas graças do monarca.

perceberam que toda grande empresa privada nacional ou estrangeira que queira se instalar, ou que planeje algum novo grande investimento, a primeira coisa que faz é mandar o seu alto executivo para uma audiência com Sua Excelência o Presidente da República Federativa do Brasil?

Agora, você viu algum grande empresário brasileiro, que tenha negócios nos EUA, precisar visitar a Casa Branca e beijar a mão do presidente americano? É porque ali, para fazer negócios, basta seguir as normas e cumprir a lei. O rapapé não faz parte dos usos e costumes dos americanos, nem de outros povos razoavelmente civilizados...

Aqui o rapapé é imprescindível. Sem ele, sem o beija-mão e, na maior parte das vezes, sem o "engraxa" mãos, o negócio não sai, mesmo que perfeitamente dentro das normas e da lei... Eis toda a diferença entre uma democracia verdadeira e outra, que apesar do nome, das instituições e de toda liturgia formal, não funciona. É um enorme e caro engodo. É uma farsa para uma platéia de analfabetos que se contentam com as migalhas das mesas da corte. A não ser, obviamente, os amigos do rei...

Segundo o relatório Doing Business - 2010, do Banco Mundial, divulgado na semana passada, sobre 183 países, no quesito facilidade de criar negócios o Brasil está no 129º lugar, atrás da Colômbia, do Chile, do México, do Peru, do Panamá, de El Salvador, do Uruguai, da Argentina, da Costa Rica e... do Paraguai - para citar apenas nossos vizinhos.

E o Banco Mundial sabe bem o que diz, pois participa de negócios e projetos no mundo inteiro. Há alguns anos perguntei a um diretor do Banco Mundial por que obras públicas no Brasil eram mais caras do que na média até dos países da América Latina. Ele sorriu e disse: "São os 30%...", pedindo para não ser citado, obviamente. Outros dados do estudo: para sustentar o Fisco o empreendedor brasileiro médio trabalha 2.600 horas por ano. A média, na América Latina, é 563 horas. Número de dias necessários para abrir um negócio no Brasil: 120, contra 45,5 dias em média nos outros países da América Latina.

Tudo isso é herança da mentalidade colonial brasileira, que a Independência não mudou e que a República reforçou. E, cujos representantes, no Congresso e nos partidos, procuram preservar a todo custo, como mostrou, mais uma vez recentemente, a renhida tropa de choque política comandada pela dupla Sarney-Renan, com a prestimosa colaboração de Aloizio Mercadante, no episódio da Comissão de Ética (?).

E por que o empenho todo? Pelos bigodes do senador do Maranhão, aliás, Amapá? Nada disso. O valor daqueles fios não é o de antigamente. Foi para continuar governando o governo, para que a independência continue sendo apenas uma proclamação sem conteúdo, para que a recém-iniciada modernização do País se dilua e não contamine demais os carcomidos hábitos políticos. Tudo avalizado por um Lula que desistiu de "mudar tudo isso que está ", abraçou o "poder-pelo-poder", deu meia-volta volver e empreendeu marcha batida em direção ao que a República Velha tinha de mais velho.



A ilustração é de Jacek Yerka.

O artigo original A independência que ainda nos falta” é do jornalista Marco Antonio Rocha - está significativamente alterado pelo Freeman.






Segunda-feira, Setembro 07, 2009

UMA BREVE MENSAGEM AOS POLÍTICOS DO BRASIL


NÓS DO PAÍS REAL, CIDADÃOS PRODUTIVOS E NÃO DEPENDENTES DA ESMOLA GOVERNAMENTAL ALERTAMOS AOS POLÍTICOS DE TODOS OS NÍVEIS – DOS VEREADORES DOS MAIS LONGÍNQUOS RINCÕES, AOS NABABOS DA CAPITAL FEDERAL, QUE A NAÇÃO ESTÁ AMADURECENDO E QUE NÃO ESQUECERÁ O COMPORTAMENTO DE CADA UM DE VOCÊS.

APESAR DE VIVERMOS ASFIXIADOS PELA MULTIPLICIDADE DE IMPOSTOS, PELA AVALANCHE PROPOSITAL DE COMPLICAÇÕES BUROCRATICAS, NÓS CONSTITUIMOS MAIS DE 85% DA FORÇA DE TRABALHO E AMANHECEMOS A CADA DIA À CRIAR A VERDADEIRA RIQUEZA DESTE PAÍS, ATRAVÉS DA INDUSTRIA, DO COMÉRCIO E DA AGRICULTURA, VEMO-NOS ESTARRECIDOS, MAS NÃO PASSIVOS, DIANTE DA CORRUPÇÃO CRESCENTE, DA CARA-DURICE E DO PARASITISMO QUE TOMOU CONTA DO PAÍS OFICIAL.

COM RARÍSSIMAS EXCEÇÕES, VOCÊS SÃO A ESCÓRIA DA NAÇÃO, A VERGONHA DA RAÇA HUMANA, O CARÁTER MAIS DESPREZÍVEL E AS MENTES MAIS FALSAS, EGOÍSTAS, E SEM ESCRÚPULOS QUE ESTA GENEROSA TERRA CRIOU.

A POLITIQUICE PERSONALISTA DE V. COMPORTAMENTO NÃO LEVA EM CONSIDERAÇÃO OS VERDADEIROS INTERESSES DA NAÇÃO E ESTÁ IMPEDINDO QUE SE FAÇAM AS REFORMAS ESTRUTURAIS PARA QUE O PAÍS E SEUS CIDADÃOS POSSAM SE TORNAR PRÓSPEROS, LIVRES E CIVILIZADOS..

SÃO VOCÊS QUE IMPEDEM A DIMINUIÇÃO E A SIMPLIFICAÇÃO DOS IMPOSTOS; A ELIMINAÇÃO DAS ESTATAIS E ÓRGÃOS INÚTEIS E PERDULÁRIOS; A REFORMA E A DESCENTRALIZAÇÃO DA PREVIDÊNCIA; A REFORMA ELEITORAL COM A IMPLANTAÇÃO DO VOTO DISTRITAL E A REGULARIZAÇÃO DO COEFICIENTE ELEITORAL DOS ESTADOS E A FIDELIDADE PARTIDÁRIA; A REESTRUTURAÇÃO DE ESTADOS E MUNICÍPIOS QUE NÃO POSSUAM AUTONOMIA ECONÔMICA.

SABEM PERFEITAMENTE QUE A PROSPERIDADE VIRIA COMO DECORRÊNCIA DO TRABALHO PRODUTIVO E LIVRE DO PÊSO EXCESSIVO DOS IMPOSTOS E DA BUROCRACIA, QUE HOJE BENEFICIA O DESPERDICIO E A CORRUPÇÃO.

A CIVILIDADE VIRIA QUANDO O ESTADO CONCENTRAR-SE NAS SUAS OBRIGAÇÕES ESSENCIAIS E, FAZENDO JUS AOS IMPOSTOS QUE ARRECADA, PROPORCIONAR EFICAZMENTE A INFRA-ESTRUTURA E OS SERVIÇOS VITAIS PARA A NAÇÃO!

APESAR DA ACINTOSA E ESPÚRIA PROTEÇÃO QUE ESTE JUDICIÁRIO DÁ À V. Sas. ATÉ QUANDO VOCÊS ACHAM QUE OS CIDADÃOS IRÃO AGUENTAR A ESPOLIAÇÃO A QUE ESTÃO SUBMETIDOS?


A convite do blog brasillivreedemocrata postamos a imagem. neste 7 de Setembro. O texto é do Freeman.

Sexta-feira, Setembro 04, 2009

O oportuno conselho de Eça de Queiroz...


Portanto...




Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Os Parasitas do Estado e o nosso Futuro.



Duas notícias econômicas, de hoje, confirmam o que temos dito aqui, sistematicamente: o crescimento irracional (aparelhamento) do Estado pelo governo petista e suas consequências.

A primeira refere-se ao constante e irresponsável aumento dos gastos com pessoal e encargos. Em 2003, no primeiro ano do governo Lula esses gastos eram de 79 bilhões. Em 2009 eles atingirão 155,6 bilhões, ou simplesmente 97% a mais. Não satisfeitos, o orçamento de 2010 indica que eles subirão para 169,4 bilhões, uma evolução de 114,4% em 7 anos! Se isso significasse um aumento da eficácia do serviço público em benefício da população seria ótimo. Mas, não é o caso. Basta constatar que nada mudou em qualquer serviço prestado pelo governo. É o mais puro aumento da burocracia inútil e parasita. É a mais descarada criação de cargos para os incapazes sindicalistas: “os amigo cumpanheiro”. Quer a prova? Pergunte a qualquer funcionário público concursado e responsável o que está acontecendo...

O parasita-mór: Lula – o iletrado - enviou ao Congresso dez projetos que criam simplesmente mais 40 mil cargos públicos! Com um impacto anual de 1,4 bilhão! Segundo o deputado Arnaldo Madeira, foram criados mais de 212 mil cargos e funções comissionadas desde 2003.

Isso, sem contabilizarmos os aumentos de pessoal ocorridos no Legislativo e no Judiciário, inclusive a vergonhosa criação de mais 7 mil cargos de vereador, aprovada recentemente pelo Congresso,.

A segunda notícia, alarmante, dada pelo economista Fabio Giambiagi - especialista em previdência social - nosconta de que nas próximas semanas será votado um substitutivo a um dos projetos do senador petista Paulo Paim, que se aprovado, simplesmente comprometerá o cenário fiscal a ser enfrentado por nossos filhos quando tiverem a nossa idade!

Segundo Giambiagi, é difícil esperar visão de longo prazo de uma das legislaturas mais lamentáveis da história do nosso Parlamento. E essa falta de sensibilidade acerca das conseqüências futuras dos atos praticados hoje são avalizadas pelo também irresponsável Executivo! E sem que uma única conta tenha sido apresentada mostrando o dramático impacto das medidas. Os projetos do senador são tão absurdos, tão divorciados de qualquer cuidado com o rigor matemático, tão acintosamente despojados de preocupação com a sua consistência, tão evidentemente pautados pelo objetivo eleitoreiro, que propostas alternativas acabam ganhando, comparativamente, ares de moderação.

Mas podem estar certos, nós e nossos filhos pagaremos caro por essas irresponsabilidades!

Os gastos do governo com pessoal ultrapassaram o patamar de 5% do PIB na atual gestão. E isso é muito!

Se há um local que parece desconhecer crises, esse local é Brasília.

Como bem diz o economista Rodrigo Constantino, os governos não seguem a lógica do mercado, ou seja, eles não dependem da satisfação dos cidadãos-consumidores para sobreviver. Afinal, eles não recebem através de trocas voluntárias, mas sim da coerção dos impostos. E é justamente por isso que os serviços mais ineficientes são aqueles oferecidos pelos governos.

Para piorar, essa ineficiência não é punida com o prejuízo e a falência como na iniciativa privada, mas ao contrário, acaba premiada com novas verbas. O orçamento para as repartições públicas é indiretamente proporcional à sua eficiência. Quanto pior for o serviço prestado, melhor a justificativa para demandar mais recursos, sob o pretexto de sobrecarga de trabalho.

Com isso, a arrecadação de impostos dos governos cresce sem parar, e em breve chegará à cifra fantástica de um trilhão de reais! Para o ano que vem, estão previstos mais de R$ 850 bilhões. Os governos, em especial o atual, são enormes parasitas, que sugam os recursos, dos cidadãos, com uma fome insaciável. Certamente estamos chegando a um ponto de ruptura, onde a sociedade produtiva, para sobreviver, precisará dar um basta à essa casta parasita e privilegiada que vive do perdulário e ineficaz Estado.

Segunda-feira, Agosto 24, 2009

Até quando vamos tolerar isso?


Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel do que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata! O motorista lotado no Senado e a serviço da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, ganha R$12.000,00 por mês. Quantos empresários no Brasil, que criam empregos e pagam muitos impostos têm essa retirada? Pouquíssimos!

Um ascensorista da Câmara ganha mais para apertar os botões nos elevadores da casa, do que um oficial da Força Aérea para pilotar um jato Mirage.

Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda um regimento de blindados.

Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é para justificar o salário, ganha o dobro de um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional.

Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone", ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas.

Há alguma razão para que a Câmara Federal tenha 40 funcionários por deputado? E o Senado, 135? Sendo que desses 350 ganham acima do teto constitucional de R$24.500,00. E todos se aposentarão com proventos integrais!

Ainda, deputados e outros burocratas do serviço público se aposentam com oito anos de tempo de serviço? (se é que podemos chamar aquilo "serviço" - desserviço seria bem mais apropriado) Enquanto nós do setor privado conseguimos fazê-lo após 35 anos de trabalho e contribuições comprovadas recebendo uma fração do nosso último salário?

Não é simplesmente um escárnio contra a sociedade produtiva? Não é uma verdadeira zombaria contra o povo desta Nação?

Será que os principais dirigentes dessas instituições públicas não têm um mínimo de vergonha? Como será que eles educam seus filhos? Como podem dormir à noite?

Por suas atitudes contumazes, suas respostas são opostas aos nossos princípios e revelam a total sem-cerimônia do uso privado dos bens públicos.

Até quando vamos tolerar isso?


as comparações de salário foram publicadas no site do Instituto Federalista.

Quarta-feira, Agosto 19, 2009

O verdadeiro desafio brasileiro.



Apesar de espasmos de