terça-feira, março 15, 2016

O IMPEACHMENT DO BRASIL

A debandada dos investidores externos, simbolicamente decretada pela perda do grau de investimento por uma agência de risco americana, e agora, a reiterada apresentação de um Orçamento Fiscal para 2016, pela equipe econômica, com providências e projeções incompatíveis com os encargos financeiros de um governo profundamente deficitário, conduzem a opinião pública e os mercados à inevitável conclusão de que quem está sendo impedido de prosseguir e atuar não é a presidente, mas o próprio Brasil.
Essa percepção é fatal para as chances de possível recuperação da debilitada economia, ainda no próximo ano. Em seu descaminho como gestores da política econômica, os atuais detentores do poder promovem o que deveria ser inibido — a escalada de impostos e os juros absurdos — e poupam o câncer do excesso do gasto público, que deveria ser prontamente extirpado. Isso só não é novidade porque o Brasil é servil ao poder.
Não há qualquer exagero nessa avaliação. Os contribuintes arcarão, este ano, com um encargo de juros públicos da ordem de R$ 450 bilhões. Na falta de recursos para saldar a conta indigesta, os juros não liquidados somar-se-ão à dívida total do próximo ano, e assim sucessivamente, até se constatar que o endividamento do país não cabe mais no bolso dos brasileiros. O Brasil é o único no mundo que pratica agiotagem financeira oficial contra si mesmo. Mas a elite que nos governa finge que não vê nada disso.
Na nova invocação aos pagadores de impostos para que banquem a conta, desta feita com nova CPMF, mais IOF e tributos sobre rendas diversas, a equipe de Dilma adocica números e palavras para contornar a realidade do impasse financeiro de uma dívida que não pode continuar sendo servida só com o sacrifício de quem trabalha. Enquanto a máquina pública e seus solertes interesses são preservados, pois leis foram votadas para protegê-los de qualquer contribuição ao sacrifício geral, os cidadãos comuns e as empresas sangram para fechar a perdulária conta de juros.
Mesmo com os cortes anunciados – serão efetivados? – a despesa oficial do governo central crescerá em 2016. Em bom português e sem rodeios, não há corte algum, apenas contenção momentânea de certos gastos. A abordagem fiscal do governo é equivocada. Quando se tem que enfrentar uma conta de juros de 8% do PIB, o corte inicial de despesas tem que ser linear, incidindo sobre todas as rubricas, numa percentagem suportável, que, para 2016, calculamos em 7,5%.
Não se pode anunciar mera postergação de gasto, como fez a equipe dilmista em relação ao reajuste de pessoal, adiando o aumento de janeiro para agosto. Segundo erro palmar: esperar que a abordagem de contenção de gasto possa ser apenas emergencial; ela tem que ser estrutural e plurianual, sobre todos os programas, funções e cargos, como acaba de propor o secretário da Fazenda do México, num orçamento de base-zero, seja retomando o planejamento dos gastos a partir do zero, seja desvinculando e desindexando todas as despesas.
O último erro de Dilma é o pior de todos: ao manter-se calada sobre a realidade dos juros públicos no Brasil, que representam agiotagem consentida sobre economia em frangalhos, a presidente projeta o país numa rota de submissão financeira de brasileiros contra brasileiros que faria inveja aos portugueses quando dependuraram Tiradentes pelo pescoço contra a derrama dos 20% sobre o ouro.
Nenhuma economia do mundo tem condição de servir uma dívida pública que nos custa cerca de 7% a 8 % do PIB por ano. Grande parte dos economistas se cala sobre essa questão central até por humildade de não saber que solução propor para uma conta que representa 18 Copas do Mundo por ano, paga ano após ano. Nenhuma CPMF, prevista em R$ 30 bilhões, ao menos, arranhará a superfície da rígida carapaça dos juros sobre a máquina produtiva do país que, um dia, pensou ter futuro. O Brasil já está impichado pelo orçamento de Dilma.

Por: Paulo Rabello de Castro -Doutor em economia pela Universidade de Chicago, é coordenador do Movimento Brasil Eficiente e escritor – Fonte Correio Braziliense

segunda-feira, dezembro 22, 2014

Natal: Esperança e MateMágica

.
. . .
.
Natal
tempo de esperança,
de prece,
para que esta retorne
na realização dos sonhos dos cidadãos,
e não nos abandone no meio deste pesadelo,
onde
nada sobrou
da ética política,
da vergonha humana,
do trato civilizado
da
"res publica"
.
. . .
.
1 x 8 + 1 = 9
12 x 8 + 2 = 98
123 x 8 + 3 = 987
1234 x 8 + 4 = 9876
12345 x 8 + 5 = 98765
123456 x 8 + 6 = 987654
1234567 x 8 + 7 = 9876543
12345678 x 8 + 8 = 98765432
123456789 x 8 + 9 = 987654321


1 x 9 + 2 = 11
12 x 9 + 3 = 111
123 x 9 + 4 = 1111
1234 x 9 + 5 = 11111
12345 x 9 + 6 = 111111
123456 x 9 + 7 = 1111111
1234567 x 9 + 8 = 11111111
12345678 x 9 + 9 = 111111111
123456789 x 9 +10= 1111111111

9 x 9 + 7 = 88
98 x 9 + 6 = 888
987 x 9 + 5 = 8888
9876 x 9 + 4 = 88888
98765 x 9 + 3 = 888888
987654 x 9 + 2 = 8888888
9876543 x 9 + 1 = 88888888
98765432 x 9 + 0 = 888888888


Brilhante, não é?
Para acabar, esta bela simetria:


1 x 1 = 1
11 x 11 = 121
111 x 111 = 12321
1111 x 1111 = 1234321
11111 x 11111 = 123454321
111111 x 111111 = 12345654321
1111111 x 1111111 = 1234567654321
11111111 x 11111111 = 123456787654321
111111111 x 111111111 = 12345678987654321


Encontrado, há tempos, no
Aquecimento Blogal

domingo, dezembro 14, 2014

A vaca foi para o brejo?




Arnaldo Jabor

A única maneira de se ter esperança no Brasil de hoje é acreditar que os escândalos a que assistimos sejam o indício de uma mutação histórica, para melhor.

Nunca vi nada igual. Todas as certezas estão desabando, toda fé, todas as esperanças morrem diante desta abundância de escrotidões, esse despautério de horrores. A gente liga a TV, lê o jornal e cai em cava depressão. "Tudo que é sólido desmancha no ar", como disse Marx, tão mal-entendido pela esquerda burra que tomou o poder na base da mentira e fraudes, como vemos com as granas "legais" que a tesouraria do PT recebeu dos restos de propinas. A velha "esquerda" sempre foi um sarapatel de populismo, getulismo tardio, leninismo de galinheiro e, desde 2002, inventou a adesão monstruosa aos velhos roubos da velha direita.

A chegada do PT ao governo reuniu em frente única: as oligarquias privadas com o patrimonialismo do Estado petista. Foi o pior cenário para o retrocesso: Sarney, Calheiros, até o Collor, unidos aos idiotas bolivarianos. Essa base de ação foi o adubo para os crimes da Petrobrás e outras dezenas de roubalheiras em hidrelétricas, aeroportos, portos, tudo.

O advogado de um dos acusados disse a frase síntese: "No Brasil, se não der uma grana na mão dos governantes, nem um paralelepípedo você coloca no chão". E é o País inteiro, não apenas a PTbrás.

Mas, de quem é a culpa disso tudo?

Claro que a responsabilidade principal é a aplicação bolchevique do "toma lá, dá cá", através do presidencialismo de cooptação para obter apoio dos partidos, ou seja, a corrupção permitida e estimulada é o motor petista da governabilidade. Pode uma coisa dessas?

Será que os costumeiros ladrões já sacaram que a "mão grande" é o novo "hype"?

A destruição da Lei de Responsabilidade Fiscal que Dilma iniciou é o exemplo dessa permissividade. Cada prefeitura do País vai partir para gastos corruptos. As instituições democráticas estão sem força, se desmoralizando, já que o próprio governo as desrespeita.

Será que é culpa dos organismos arcaicos do Poder Judiciário?

Ou será o surgimento de novos problemas que não são solucionáveis com os velhos mecanismos de poder?

Mas o que preocupa é que todo esse gigantesco volume de crimes denunciados possa gerar um congestionamento na Justiça, uma turbulência irreversível que transforme tudo numa massa jurídica informe. O exército de advogados já está convocado para novas e caras chicanas. O que estamos vivendo pode virar um apocalipse institucional.

O Brasil está irreconhecível. Nunca pensei que a incompetência casada com o delírio ideológico promoveria este caos. Há uma mutação histórica em andamento, como disse acima, mas que pode ser para pior, para um "quarto mundo". Este desastre me lembra a metáfora de Oswald de Andrade, de que "as locomotivas estavam prontas para partir, mas alguém torceu uma alavanca e elas partiram na direção oposta".

Isso causa não apenas o caos administrativo como também provoca uma mutação na mente e no comportamento das pessoas.

O Brasil está sendo desfigurado dentro de nossas cabeças, o imaginário nacional está se deformando.

Há uma grande neurose no ar. Cria-se uma vontade de fuga. Nunca vi tanta gente falando em deixar o País e ir morar fora.

As mudanças mentais são visíveis: nos rostos tristes nos ônibus abarrotados, na rápida cachaça às 6 da manhã dos operários antes de enfrentar mais um dia de inferno, nos feios, nos obesos, no desânimo das pessoas nas ruas, no pessimismo como único assunto em mesas de bar.

Estamos experimentando sentimentos inesperados, dores nunca antes sentidas. Quais são os sintomas mais visíveis desse trauma histórico?

Por exemplo, o conceito de solidariedade natural, quase 'instintiva', está acabando. Já há uma grande violência do povo contra si mesmo. Garotos decapitam outros numa prisão, ônibus são queimados por nada, com os passageiros dentro, meninas em fogo, presos massacrados, crianças assassinadas por pais e mães, uma revolta sem rumo, um rancor geral contra tudo. Cria-se um desespero de autodestruição e o País começa a se atacar.

Outro nítido efeito na cabeça das pessoas é o fatalismo: "É assim mesmo, não tem jeito não". O fatalismo é a aceitação da desgraça.

E crescem a desesperança e a tristeza. O Brasil está triste e envergonhado.

Essa fragilização da democracia traz de volta também um desejo de autoritarismo na base do "tem de botar para quebrar!". Já vi muito chofer de táxi com saudades da ditadura.

A ausência de uma política contra a violência e a ligação de muitos políticos com o tráfico estimulam a organização do crime, que comanda as cadeias e já demonstra uma busca explícita do horror. A crueldade é uma nova arte incorporada em nossas cabeças, por tudo que vemos no dia a dia dos jornais e da TV. O horror está ficando aceitável, potável.

O desgoverno, os crimes sem solução, a corrupção escancarada deixam de ser desvios da norma e vão criando uma nova cultura: a "normalização" da ignomínia; por trás do crime e da corrupção, consolida-se a cultura da mentira, do bolivarianismo, da preguiça incompetente e da irresponsabilidade pública.

Vivemos um paradoxo, um pleonasmo: aqueles que pensam não sabem o que pensar - como refletir sem uma ponta de esperança? Todos falam: Precisamos fazer isso, fazer aquilo, mas ninguém sabe quem fará. Temos aí a nova escola crítica: a análise impotente da impotência, a "contemporaneidade" pessimista de intelectuais, a utopia da distopia.

É difícil botar a pasta de dente para dentro do tubo. Há uma retroalimentação da esculhambação generalizada que vai destruindo as formas de combatê-la. Tecnicamente, não estamos equipados para resolver as deformações que se acumulam como enchentes, como um rio sem foz.

O Brasil está sofrendo uma mutação gravíssima e nossas cabeças também. Sempre ouvimos que o Brasil estaria à beira do abismo; será que já caímos nele? Será que a vaca já foi para o brejo?


* Nota do Freeman:

Já foi Jabor! 
O que você disse aqui é a mais pura e triste realidade. O imoral, preguiçoso e analfabeto PT conseguiu institucionalizar a bandalheira, a sem-vergonhice, e a ignorância! A única coisa que conseguiu disseminar com o mais alto grau de competência, no super-aparelhado Estado brasileiro, foi justamente a incompetência!  
A Justiça? Último guardião da civilidade, está desmoralizada! Só guardam com fervor o corporativismo e os seus privilégios! De resto é o quem dá mais. A esperança Joaquim Barbosa foi só um ponto fora da curva...
E tudo acontece, quase sem reação desse povo lúdico! Capazes de reunir 2 milhões no Carnaval, ou numa Parada Gay, mas incapazes de reunir 100 mil para ir vaiar e cobrar nossos mandatários, nossos supostos "representantes"...
A "zelite" de sempre, do capitalismo de compadrio, é o instrumento perfeito para os corruptores do Estado brasileiro. Por essa razão que políticos imorais e burocratas gananciosos querem manter - a qualquer custo -  Petrobrás, Eletrobrás, Banco do Brasil, Caixa, etc., etc.. O estadista brasileiro que privatizá-las, não só acaba com o cabide de emprego, os privilégios e a incompetência delas, mas ACABA com a corrupção no País!
O povo analfabeto do bolsa prostituta, bolsa ladrão, bolsa camisinha, bolsa quanto mais filho, melhor, etc., também não quer largar a rapadura...
Sim Jabor, com certeza, a vaca foi para o brejo!

quarta-feira, dezembro 10, 2014

"Um País tem interesses."


É conhecida a definição de um ex presidente norte-americano ao referir-se às relações entre países: “um país não tem amigos, tem interesses”, repetindo famosa citação do Secretário de Estado norte-americano John Foster Dulles. O que afirmava a máxima, aparentemente cínica, era que cabe a dirigentes de um país zelar pelas relações do país com outros em função não da simpatia entre dirigentes e, sim, dos interesses (ou ganhos) de um país em relação a outro.
Essa reflexão vem a respeito do relacionamento do Brasil com países como Irã, Venezuela, Equador e Bolívia, por exemplo. Ou das claras manifestações de Lulla quando se refere aos norte-americanos e aos colombianos.
O recente e malfadado acordo assinado por Turquia e Brasil com o Irã foi marcado pela excessiva credulidade de Lulla e por seu desejo de aparecer como líder mundial e, especialmente, aborrecer os Estados Unidos. Dias depois, as sanções impostas ao Irã por sua tentativa de desenvolver armamento nuclear vieram referendar o que (com exceção de Brasil e Turquia) se acreditava sobre o “Acordo” assinado com Ahmadinejad: um tiro n’água.
Os outrosamigos” do Brasil – na verdade, de Lulla –, especialmente a Venezuela, têm em comum o autoritarismo, o ódio à imprensa livre e a excessiva presença do Estado na economia. A bem da verdade, tem que ser dito que tanto Brasil quanto Venezuela apoiam, de forma descarada, as FARC, um misto de bandidos e traficantes de droga. As FARC sempre foram consideradas pelo PT um grupo insurgente, com a característica marcante de acreditarem que os fins justificam os meios.
Antes de saber com quem simpatiza, mais ou menos, a política externa deve atender aos interesses da Nação. Não devem entrar nesta conta eventuais simpatias pelo presidente iraniano, por Chávez, Correa ou Morales. O Presidente tem que considerar o que interessa ao País e não, suas simpatias pessoais.

ARTHUR
CHAGAS DINIZ * PRESIDENTE DO INSTITUTO LIBERAL

quarta-feira, dezembro 03, 2014

Can the productive Brazil survive?





















  • 39 inoperative federal government ministries...
 
  • Tens of absurd taxes...

  • Hundreds of unnecessary bureaucratic institutions and offices...

  • Thousands of irrational norms...

  • 20 thousand political positions “of trust”...

  • 6,28 million public officers...

  • 3 thousand (of the 5.5 thousand ) Brazilian municipalities without financial autonomy...

Where all this will lead us?

Want more?
A slight example of what Brazilian bureaucracy is capable of:
In July, the Union’s Official Gazette published the nomination of a public officer of the Ministry of Micro and Small Businesses to serve as: “coordinator of General-Coordination of Registration Services of the Department of Business Registry and Integration of the Secretary of Rationalization and Simplification.”   Truly, there are no limits to ridiculousness. 

In a recent article, Maílson da Nobrega, ex-Ministry of Finance, recalled, with reason, the need to reduce gigantic transactions costs related to the labor, taxes and the environmental areas.
In a very didactic manner, he mentioned economists Ronald Coase and Douglas North, as well as John Wallis (1991 and 1993 Nobel Prize winners), mainly for their virtuous contributions stating that: when heavy, such costs strongly inhibit economic growth.
These economists investigated and demonstrated that transaction costs represent more than 50% of the American GDP (imagine in Brazil!). Therefore, building institutions to reduce transaction costs is essential to gain productivity and expand the economy (something that no politician seems to know).
Transaction costs transcend bureaucracy.
In the past decades, the Brazilian tax system very likely turned into the greatest cause of an increase in transaction costs. The taxation madhouse created by irresponsible policies and bureaucrats greedy for power has no comparative in any other country.  The process of filling out documents, writing up books and reporting information – even digitally – generates, beside their own costs, an enormous expenditure in various other instances, such as in legal suits. This also leads to legal insecurity, which in turn directly affects the will for investments.
When it comes to labor, our anachronic legislation regulates almost everything. This originated in the archaic idea that workers are incapable of defending themselves and therefore needs protection from the State. After the second half of the twentieth century this is a shameful excuse to keep a huge legal/bureaucratic apparatus at the expenses of the taxpayers. Besides wasting time and resources, this genuine Brazilian pearl, greatly incentives litigation and usurpation. The result? We have over 3 million labor lawsuits/year, against 1 thousand in Japan. This generates further transaction costs and insecurities that, besides not stimulating employment opportunities, leads to wicked and corrupt consequences in the national economy and in the companies competitiveness. Such consequences turn out to be much worse than lawsuit bureaucracy itself.  
A third issue relates to environmental licenses. According to CNI (National Industry Association), licenses, whether granted to a gas station or to a hydroelectric power plant, are subject to a myriad of 30 thousand norms, most of them very confusing, overlapping, and lacking of any rationality. It is a kafkian process, whose practical objective is far from protecting the environment. More truly, it is a process that creates difficulties to be able to sell easy ways out.
To deal with these three areas, companies and individuals, in Brazil, spend a great amount of resources with lawyers, accountants and technical evaluations. These are transaction costs that consumes huge amount of time and money that could be better used if invested in productive activities. They would generate more jobs and more taxes, since they would increase efficiency and competitiveness. If the Brazilian productive society is able to surpass these carcinogen parasites – created and maintained by the State, it will be as discovering an unexplored rich mine when it comes to gains in productivity
Note: Almir Pazzianotto, Everardo Maciel and Maílson da Nóbrega, are widely recognized names in the Brazilian political and economic scenario. They have, in the past years, written excellent and rational articles, each in their own professional area. The question that still remains is: why then, when these important citizens held government offices, did they not apply such rationality or propose the changes they preach about today?


v  Rafael Jordão M. Vecchiatti, economist. Coordinator of “Movimento Brasil Eficiente”, director of ABIMAQ (Brazilian National Machinery Association) and Member of FIESP Board of Economists.

terça-feira, dezembro 02, 2014

Pode o Brasil Produtivo Sobreviver?





















39 ministérios inoperantes...
Dezenas de tributos absurdos...
centenas de órgãos burocráticos desnecessários...
Milhares de normas irracionais...
20.000 cargos políticos “de confiança”...
6.28 milhões de funcionários públicos...
3.000 (dos 5.500) municípios sem autonomia financeira...

Aonde iremos parar?

Quer mais?

Um singelo exemplo do que a burocracia brasileira é capaz:

Em Julho, o Diário Oficial da União publicou a nomeação de uma servidora do Ministério da Micro e Pequena Empresa para ocupar o cargo de: “coordenador da Coordenação da Coordenação-Geral de Serviços de Registro do Departamento de Registro Empresarial e Integração da Secretaria de Racionalização e Simplificação.”  Realmente, não há limites para o ridículo.
 


Em recente artigo, com justa razão, lembrou o ex-ministro Maílson da Nobrega, da necessidade de se reduzir os enormes custos de transação associados às áreas trabalhista, tributária e ambiental.

Didaticamente, menciona os renomados economistas Ronald Coase e Douglas North, além de John Wallis, (laureados com o prêmio Nobel de 1991 e 1993) justamente por suas virtuosas contribuições que, em resumo, concluem: quando elevado, esses custos inibem fortemente o crescimento econômico.

Pesquisaram e demostraram esses economistas que custos de transação equivaliam a mais de 50% do PIB americano. (imaginem no Brasil!) Assim, construir instituições para reduzir os custos de transação é essencial para se ganhar produtividade e expandir a economia (coisa que político algum demonstra conhecer).

Custos de transação transcendem a  burocracia.

O sistema tributário brasileiro tornou-se nas últimas décadas, provavelmente, a maior causa do aumento de custos de transação.
O manicômio tributário gerado por políticas irresponsáveis e burocratas em busca de poder, é inigualável em qualquer outro país. O processo de preencher documentos, escriturar livros e prestar informações – mesmo digitais – gera, além do seu próprio ônus, gigantescos custos em outras instâncias, como nas batalhas judiciais. Além da insegurança jurídica que afeta diretamente a disposição para o investimento.

Na área trabalhista nossa anacrônica legislação, regula quase tudo no mercado de trabalho. Têm origem na arcaica idéia de que o trabalhador não sabe se defender e precisa da proteção do Estado. Além do desperdício de tempo e recursos dessa genuína pérola brasileira é a grande incentivadora do litígio e da usurpação. São mais de 3 milhões de causas por ano (contra mil no Japão). Isso gera outros enormes custos de transação e incertezas, que além de desestimular a própria geração de empregos, têm consequências perversas na economia nacional e na competitividade das empresas. São muito piores que a própria burocracia dos processos.

Uma terceira causa é o licenciamento ambiental.
Segundo a CNI, as licenças, seja de um posto de gasolina, seja de uma hidroelétrica, estão sujeitas a outro emaranhado de 30 mil normas, a maioria confusas, sobrepostas e carentes de racionalidade. É um processo kafikiano, cujo objetivo prático não é proteger o meio ambiente, mas sim criar dificuldades para vender facilidades.

Para enfrentarem essas três áreas, no Brasil, empresas e indivíduos despendem uma enormidade de recursos com advogados, contadores e pericias técnicas.
São custos de transação que consomem enormes somas de tempo e dinheiro que poderiam ser muito melhor utilizados nas atividades produtivas. Gerariam mais  empregos e mais tributos pela elevação da eficiência e da competitividade.
Se a sociedade produtiva conseguir vencer esses cancros parasitas – criados e mantidos pelo Estado -  será como descobrir uma mina inexplorada em ganhos de produtividade.


Nota:
Almir Pazzianotto, Everardo Maciel e Maílson da Nóbrega são nomes que dispensam apresentação e que, nos últimos anos, assinam bons e racionais artigos nas suas áreas de especialidade.
A pergunta que não quer calar é: Por quê, quando governo,  esses ilustres cidadãos e bons técnicos não aplicaram a racionalidade ou propuseram as mudanças que hoje pregam?


  •   Rafael Jordão M. Vecchiatti, economista Um dos coordenadores nacionais do “Movimento Brasil Eficiente”, diretor da ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas), membro do Conselho Superior de Economia da FIESP.