"Todas as coisas já foram ditas. Mas como ninguém escuta, é preciso sempre recomeçar" A.G.
quarta-feira, março 30, 2011
É ministro, o mundo está mais complexo.
terça-feira, março 22, 2011
Nossa tragédia ambiental silenciosa de todos os dias.

Vivemos
E,
O
A
Cabe a
O artigo original é de Édison Carlos –
sábado, janeiro 01, 2011
A nova ortografia e o Ano Novo.

Recebi de um amigo esta inspiradora mensagem, que agora quero compartilhar com todos...
Muitas palavras mudaram, mas outras não...
Em casos como AUTOESTIMA, o hífen caiu. A sua é que não pode cair... jamais!
Em algumas palavras, o acento desapareceu, como em FEIURA. Aliás, poderia desaparecer a palavra toda.
O acento também caiu em IDEIA, só que dela a gente precisa. E muito.
O trema sumiu em todas as palavras, como em INCONSEQUÊNCIA que também poderia sumir do mapa. Assim, a gente ia viver com mais TRANQUILIDADE.
Mas nem tudo vai mudar.
ABRAÇO continua igual. E quanto mais apertado, melhor.
AMIZADE ainda é com "z", como feliz, beleza, dez... Você é “dez”!
Expressões como "EU TE AMO." continuam precisando de ponto.
Se for de exclamação, é PAIXÃO, que continua com "x" como abacaxi que, gostando ou não, a gente vai ter alguns para descascar.
SOLITÁRIO ainda tem acento, como SOLIDÁRIO, que só muda uma letra, mas faz uma enorme diferença.
CONSCIÊNCIA ainda é com "sc" e vamos precisar de muita para deixar o planeta mais sustentável e assim tocar a vida para frente. Sempre!
E por falar em VIDA, bom, essa muda o tempo todo, e é por isso que emociona tanto.
Feliz 2011!
quarta-feira, dezembro 15, 2010
O exemplo Sul Coreano

Os líderes de Brasil, México e Argentina deveriam ter observado por que a Coreia do Sul é hoje uma potência.
Quando os presidentes de Brasil, México e Argentina participaram da reunião das maiores economias mundiais no G-20 em Seul, no mês passado, eles deveriam ter reservado algum tempo para dar uma espiada no país sede do encontro. Poderiam ter aprendido porque a Coreia do Sul se saiu melhor que seus países.
Há apenas cinco décadas, a Coreia do Sul tinha uma renda per capita anual de US$ 900, uma pequena fração da renda per capita anual da Argentina, US$ 5 mil, do México, US$ 2 mil e do Brasil, US$ 1,2 mil. Hoje, a Coreia do Sul tem uma renda per capita anual de US$ 28 mil, mais de duas vezes os US$ 13,4 mil da Argentina, os US$ 13,2 mil do México e os US$ 10,1 mil do Brasil.
O que a Coreia do Sul faz tão melhor que os países latino-americanos?
Há diversas explicações, incluindo o fato de que o país asiático cultivou sempre políticas econômicas sérias, sem guinadas populistas e sem desperdícios com a burocracia; aferrou-se a uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo, movida pelas exportações; e há muito pratica uma espécie de capitalismo gerido eficazmente pelo Estado, ao qual alguns economistas creditam o surgimento de suas multinacionais gigantes, como Hyundai, Daewoo e Samsung. Além disso, virtualmente, todos concordam que uma das principais razões por trás do sucesso foi sua obsessão com educação.
A Coreia do Sul decolou nos anos 60, quando EUA e Europa reduziram drasticamente sua ajuda econômica ao país, e a economia sul-coreana despencou. A Coreia do Sul decidiu que precisava de uma força de trabalho bem formada para aumentar a receita das exportações.
Assim, investimentos pesados foram feitos em educação, ciência, tecnologia e inovação.
Não se tratou apenas de gastos do governo: o governo sul-coreano gasta menos que México, Brasil e Argentina em educação, e muito menos com a sua burocracia, o que por sua vez reduz drasticamente as chances de corrupção.
A Coreia do Sul desenvolveu uma meritocracia educacional com padrões de excelência ultra-rigorosos (ao invés das demagógicas e ineficazes cotas raciais). Apenas um exemplo: o ano escolar na Coreia do Sul tem 220 dias. Por comparação os anos escolares oficiais do México e do Brasil têm 200 dias, e o da Argentina, 180 dias.
Os dias escolares na Coreia do Sul também são muito mais longos que nos países latino-americanos. Os jovens sul-coreanos com frequência estudam 12 ou 13 horas por dia. Segundo vários estudos, as famílias de classe média sul-coreanas gastam cerca de 30% de sua renda com professores particulares para seus filhos.
Chung-in Moon, um professor da Universidade Yonsei e ex-diplomata sul-coreano que conheci em uma conferência no ano passado, me contou que na Coreia “os pais não pensam duas vezes antes de gastar todo seu dinheiro na educação dos filhos. As pessoas vendem as vacas, suas casas, o que tiverem para enviar os filhos à universidade”.
Para se tornar professor secundário na Coreia do Sul, os alunos precisam estar nos 5% superiores em suas classe de graduação colegial. Por comparação, milhares de professores no México ainda obtêm seus empregos comprando seus postos pelo equivalente a US$ 10 mil, independentemente de suas credenciais acadêmicas. Não é de surpreender que a Coreia do Sul tenha se tornado um dos países com melhor desempenho em testes educacionais de matemática e ciências, e um dos mais prolíficos inventores de novos produtos.
Enquanto a Coreia registrou cerca de 9.600 patentes em 2009, o Brasil registrou 150, o México 80, e a Argentina 40.
Isso mostra, em resumo, a extraordinária distancia que separa a formidável Coréia do Sul dos países latinos.
Os presidentes de México, Brasil e Argentina teriam feito bem em aprender alguma coisa com os seus anfitriões e levar lições para casa.
O artigo original é de Andres Oppenheimer. Está editado pelo Freeman.
domingo, setembro 19, 2010
Tapuiassauros

Tapuiassauro é o nome provisório dado ao dinossauro brasileiro recentemente descoberto em Minas Gerais, cujos fósseis indicam que ele viveu há 110 milhões de anos.
Numa analogia com o Brasil político, bem que poderia ser o apelido do Estado brasileiro, o Leviatã à moda da casa, o monstro do poder público que Hobbes descreveu em 1615 e que por aquí ganhou uma face doce e benevolente, apurada ao longo dos séculos, sob diferentes governos, porém todos oligárquicos.
Quando se lê mais uma notícia do balcão de negócios montado na Casa Civil pela ministra Erenice Guerra, amiga, braço direito e sucessora da candidata Dilma Rousseff, o que choca não é a novidade, mas a maneira como os fatos parecem antigos, familiares, de longínquas eras. A diferença é que os fósseis não são de um animal extinto. É o comportamento político atual, presente desde sempre na vida dos tapuiassauros que dominam o Estado brasileiro.
Durante décadas ouvimos de gente supostamente de "esquerda" que o PT ia romper com a apropriação da máquina pública por grupelhos particulares. Mas a realidade é que durante os oito anos do governo Lula não vimos nada senão isso. Outro dia li um desses articulistas que juravam que o socialismo democrático seria a salvação do Brasil, em oposição ao suposto neoliberalismo dos governos tucanos, qualificando Dilma de "esquerda" e Serra de "direita". A infantilidade e a aberração da catalogação, mostra que certas espécies não evoluem mesmo, apesar de Darwin. E fica demonstrado o fato de que o PT “ético” sempre foi só uma encenação de campanha, a realidade está aí.
A violação de sigilos fiscais por servidores da Receita, aloprados ou comandados, não é outro caso: é o mesmo. Erenice expandiu seus tentáculos familiares - filho, irmão, amigos, etc. - para todas as partes, usando expedientes vezeiros. Sua noção de liberdades individuais, da separação entre Estado e Sociedade, simplesmente não existe, ou então só existe para os inimigos. Violar um sigilo é ter a mesma desconsideração pelo fato de que as autoridades foram eleitas por nós e devem nos. servir, não o contrário. Do caseiro Francenildo aos milionários fora dos esquemas, todos estão à mercê da facilidade com que ocupantes da máquina oficial xeretam suas vidas. Eles simplesmente acham que o Estado tem todo o direito, e não por acaso quem criou o Gabinete Civil foi Getúlio Vargas e quem o consagrou foi Ernesto Geisel.
As comparações com Mussolini e outras frases tucanas só atrapalham. Primeiro, porque a população não vê o PSDB como grande exceção à regra, tanto é que os escândalos não mudaram as pesquisas eleitorais. Segundo, porque não se trata de um fascismo institucional, e sim da velha e boa malandragem brasileira. Obviamente, apesar das justificativas de intelectuais e artistas, essa malandragem é antidemocrática. Volto a dizer que o governo Lula lembra os do regime militar, principalmente em sua retórica do "Brasil Grande" e "ame-o ou deixe-o" e em seu gosto por estatais faraônicas.
São sinais de um regime autoritário, de um governo que costumeiramente viola regras da democracia. Lula só é popular porque a economia está melhor.
Acontece que o problema é cultural; é da leitura que se tem feito da atualidade política, na maioria dos casos guiada por uma desonestidade intelectual persistente. Se alguém critica o PT por essa sequência acachapante de rupturas com a ética (único tipo, de ruptura que fez, já que, de resto, só seguiu os acertos e os desacertos do governo anterior), imediatamente se ouve que "todos roubam" e é xingado de "tucano" e recebe uma lista dos números comparativos da economia (até mesmo o número de pontos da Bolsa de Valores, que eles antes diziam ser uma ciranda financeira elitista). O articulista de página 2 que citei, por sinal, acha que Lula fez "uma inclusão (sic) inédita na história", o que é mentira (até Getúlio, JK e os militares aumentaram mais a renda média do trabalhador) e esconde a base de boa parcela dessa melhora (o Plano Real, as privatizações e os programas sociais que antes os petistas tanto criticaram). E nada mais desonesto do que brandir estatísticas para desculpar a falta de ética, pois ética não se mede em gráficos.
Acho que nem o PSDB e muito menos PT mudaram o modo brasileiro de exercer o poder, como deveriam ter mudado. Note que nesse caso Erenice não havia partidos "aliados" para dividir â conta do mensalão, nem exemplos semelhantes na oposição para anular o efeito; eis o motivo por que ela teve de ser demitida. Note também a postura da futura presidente, Dilma: "Onde está a prova do meu envolvimento?", pergunta na célebre linha consagrada por Lula, "não vi e não sei"; ninguém disse haver prova, então não entendo a necessidade da candidata de rebater o que não foi dito. Se o governo Lula aprimorou as políticas econômica e social do governo FHC, aprimorou também os caminhos da corrupção e da impunidade. Pegou o dragão estatal e lhe deu nova vida, com os mesmos métodos do loteamento político e das empreitas viciadas, só que reforçados pelo vale-tudo das declarações e pela militância das ocupações.
Outra prova indubitável de desonestidade intelectual é a dos que dizem que essas notícias só estouram em época de eleição, ou seja, não merecem crédito porque têm interesse político, movido , pela "grande imprensa" a serviço da "zelite". Bem, a zelite está felicíssima com o governo Lula, tanto é que as pesquisas dizem que Dilma ganha em todas as classes, regiões e instruções (com diferenças de porcentagem, mas ganha).
Outras dezenas de Erenices têm vindo à tona em anos não eleitorais, sem que esse comportamento mude, o que por sinal é um escárnio e, ao mesmo tempo, uma vergonha para as outras instituições da república que deveriam zelar por condutas minimamente aceitáveis dos governantes. É a triste prova que os tapuiassauros estão em TODAS as instituições públicas e que as presas somos nós.
O artigo original é de Daniel Pizza. Está editado e modificado pelo Freeman.
