quinta-feira, dezembro 24, 2009

Um conto (moderno) de Natal (ou, como buscar a felicidade e o equilíbrio através de uma luneta)




poucos dias estávamos sentados à mesa do almoço quando minha filha de quatro anos disse que o pai de sua amiguinha chamava-se Luiz e era feliz. E, singelamente adicionou: “ele não fica bravo...” Disse isso do nada, pois estávamos conversando sobre outras coisas. Meio que sem jeito, captei a mensagem, reforçada pela minha mulher que, em inglês, aproveitou para dizer que o meu humor não andava bom, e, obviamente, as crianças estavam percebendo isso.

Realmente, ando meio amargurado e eu os havia repreendido (ela e o irmão de seis anos) severamente, no dia anterior.

Após o almoço e alguns afazeres profissionais, o pensamento voltou-me à mente e não deixou-me mais, até esta manhã. Ao avaliar o que me deixava aborrecido, constatei (como quase sempre) que era o noticiário político, mais do que qualquer outra coisa.

Sei que deveria separar essas coisas do ambiente familiar, principalmente porque a maior proximidade que tenho com a política são as notícias dos jornais. E as crianças, afinal, não tem nada a haver com o peixe...

Sei isso teoricamente, mas, a teoria na prática, é outra. Além da enorme dificuldade de esconder o que sinto, parece-me impossível alguém, com certo grau de discernimento e consciência política, mostrar-se feliz, neste país.

Sem querer ser cansativo, o que nos dizem as notícias, cotidianamente:

Os mensaleiros do PT, bem como seu líder, integrantes de uma quadrilha que roubava e visa manter o poder a qualquer custo, estão vitoriosos. O STF ainda não achou tempo para julgá-los.

Lula, o presidente inspirador de muitos brasileiros, (mostrando rara coerência) ao assistir o filme que mostrava mensaleiros do DEM recebendo propinas e colocando dinheiro nas cuecas e nas meias, declarou: "Um filme não é uma prova. Não quer dizer nada."

As anunciadas CPIs da Petrobras (notoriamente corrupta) não decolaram.

A CPI das ONGs também não. O Governo não tem qualquer interesse em examinar o destino das verbas que estas organizações recebem.

Sabe-se que várias delas suportam o MST que, não por acaso, não é uma pessoa jurídica constituída. (experimente você, movimentar milhões, sem ter um CNPJ para ver o que a Receita faz). Na prática, e por estratégia política dos totalitários no Poder, o MST é mantido como auxiliar do Governo para manifestações de rua onde, se necessário, agirá. deu mostras do que pode e, com muito pouco, transformar-se-á numa FARB (Forças Armadas Revolucionárias do Brasil).

Enquanto isso, contra a lei, (apesar do referendo derrotado em 2005), desarmam os cidadãos.

Se o Ministério Público, a Receita Federal e a Justiça examinassem a variação patrimonial dos políticos brasileiros, e seus séqüitos, e isto valesse como prova, teríamos um outro país...

A liberdade de imprensa está ameaçada, com um dos principais jornais do país sob censura, apesar das centenas de manifestações de autoridades, inclusive do Judiciário (vejam a ironia e o descaso). Além das recomendações totalitárias desse congressochapa brancaque acaba de ocorrer.

Finalmente: temos um povo alienado, analfabeto (mas esperto) como o presidente da república, e uma oposição pífia, inerte, desprezível.

Em suma: como não sentir enorme vergonha e não ter preocupação com o futuro desse país? Como não ficar mau-humorado?

De qualquer forma, como pai, precisava demonstrar a minha filha, que podia ser feliz, como o Luiz. (ao menos no ambiente familiar). O que fazer?

Bem, a vantagem de estar na idade madura, digamos, e ter vivido bastante, é a experiência que acumulamos (o que não quer dizer absolutamente, que você não cometa erros).

Dessa forma, e apesar de todas as mazelas que enfrentamos, o equilíbrio precisa ser buscado a qualquer custo, e fazemos isso (conscientemente ou não), através da esperança. Sim, através da esperança.

E o que é a esperança?

Bem, “a esperança é um empréstimo que se pede à felicidade.” Escreveu Rivarol neste inspirado aforismo!

Os desejos da nossa forma de vida formam uma cadeia cujos elos são a esperança.” Disse Lucio Anneo Sêneca, filosofo romano, que morreu em 39 a.C.

William George Ward, teólogo católico inglês que viveu no início do século 19 disse acertadamente: ” O pessimista queixa-se do vento, o otimista espera que ele mude, o realista ajusta as velas.”

Bem, eu abracei todas elas. Fui ajustar as minhas velas e pedir um empréstimo à felicidade. Fui refugiar-me em pensamentos que me trouxessem paz. Precisava de paz para tentar ficar com um semblante de alguma felicidade nesta noite de Natal, pois conhecendo a mim, não conseguiria fingir para a pequena Maria Clara.

E ocorreu-me a lembrança um fato que passou a influenciar muito a minha visão do mundo, principalmente em momentos de desesperança, de descrença no ser humano. Foi há muitos anos, quando bem jovem, e você se acha dono do mundo e o que não for como você quer, você acredita que mudará, por bem ou por mau. Doce ilusão. Na realidade, eu começava a tomar consciência de que existem inúmeros fatos, que não controlamos... e que influenciam a nossa vida, o nosso estado de ânimo, a nossa felicidade, quer gostemos ou não.

E foi num período de grande turbulência, grande inquietação que vi-me dentro de um planetário – super moderno à época. Provavelmente hoje equivalesse a um desses filmes sobre o espaço sideral, em terceira dimensão, do Discovery Science. Estava eu envolvido num profundo silêncio e meditando maravilhado sobre a imensidão do Universo. , ocorreram-me as inevitáveis perguntas dos curiosos por natureza: será que estamos sozinhos no Universo? Como essa Maravilha foi construída? Foi Deus ou foi o Big-Bang? Qual o sentido dessa Imensidão? Por que a Terra e a Humanidade são tão ínfimos, diante dessa Grandeza? Como compreender a relação tempo/espaço? Qual o sentido da Vida, afinal?

Bem, não tenho as respostas. E, muito provavelmente, não as terei, mesmo neste nosso século 21, mas uma coisa eu compreendi, a partir de então: sejam quais forem os nossos problemas, e nossas dificuldades terrenas, elas são tão ínfimas, tão microscópicas, tão simplesmente desprezíveisse – conseguirmos nos apartar, um pouco, do cotidiano medíocre, e da ignorância da grande massa humana.

Se conseguirmos isso, um sorriso natural e sutil (sinal de felicidade interior) brotará espontaneamente da alma de todos aqueles que compreendam a nossa pequenez diante da Grandeza e da complexidade da Vida e da existência do Universo.

Portanto, se estiver angustiado, nervoso com os seus problemas do cotidiano, afaste-se um pouco, e pegue uma luneta...


Dedico este pequeno conto aos meus filhos e a todas as inocentes e puras criaturas de Deus: as crianças, para que perceverem e acreditem sempre que poderão mudar este pequeno planeta Terra para melhor.

Um comentário:

Star disse...

Apesar dos pesares a vida é boooooooooa!!!


Feliz Ao Novo!