domingo, agosto 13, 2006

Obtusidade cívica ou cínica má-fé?














De volta, infelizmente, e com os pés na terra, enxergo que nada mudou para melhor no nosso horizonte institucional e político. Pelo contrário, a confusão instituida pela era PT do que é ético, correto, verdadeiro, parece que só piorou! Neste país que adora ciglas, a violência "coletiva", por exemplo, antes restrita ao MST dá lugar a uma organização concorrente, creio, também do próprio governo, conhecida aparentemente como PCC...Pretendo ainda me informar melhor...
Se isso se confirmar, nós liberais até que deveríamos estar contentes, pois onde há livre concorrencia o preço tende a baixar e o serviço a melhorar...Logo, poderemos estar escolhendo entre ser trucidado pelo MST ou pelo PCC...
E neste retorno, para saudar os estrategistas políticos de plantão, só me resta transcrever (ligeiramente editado) um excelente artigo do João Nemo, publicado no "Midia Sem Máscara".
Portanto, nada de preguiça: LEIAM!!!

Há não muito tempo, com a elegância que caracteriza os seus textos, Percival Puggina criticou a campanha que tem pipocado na Internet, prescrevendo como antídoto da imoralidade política, o voto nulo. A idéia em síntese é: a coisa está tão ruim que deveríamos todos votar nulo e inviabilizar as eleições.
Vivemos, há pouco, o período da copa do mundo, quando até minha sogra (a do Nemo, não a minha), que não distingue bola de futebol de bola de gude, se meteu a dar palpites táticos e de escalação. Parece que época de eleição também promove o mesmo efeito, gerando novos e brilhantes estrategistas que passam a promover idéias geniais como essa.
Se isso pega, estaremos submetidos ao risco de vir a reeleger este governo absurdo, avalizando todas suas estrepolias, entre elas a institucionalização do roubo e da impunidade. É exatamente a proposta que merece a célebre frase de Nelson Rodrigues: obtusidade córnea ou má-fé cínica!
Primeiro a obtusidade. Nesse caso estamos falando, muito tipicamente, daquele tipo de pessoa que fazendo cara de nojo lembra que “todo político é ladrão”, ninguém presta, a política é uma vergonha, etc.. A solução é ficar de longe, preservar a própria pureza e num embevecimento quase erótico com a perfeição moral da sua suposta virgindade, não fazer nada. Aliás, a virgindade, por definição, é estéril e muitas vezes o que parece virtude é aridez mesmo. A atitude descrita faz sentido para uma donzela: enquanto não aparece um cavalheiro digno da sua “mão” ela não se entrega. Então, essas donzelas do voto, não vislumbrando príncipes mas apenas enxergando sapos, acham que não devem se entregar e preferem correr o risco de serem estupradas junto com as liberdades individuais e as instituições democráticas. Numa reeleição estaremos flertando, mesmo, é com isso.
Assim como a donzela recusa “membros” menos nobres, alguns dirão que é preciso demonstrar repulsa aos membros do legislativo que transformaram, verdadeiramente, o parlamento brasileiro em uma casa de tolerância, que absolveram corruptos comprovados, que gastam dinheiro público em inutilidades e auto-promoção. É verdade. Nada ilustra melhor o nosso drama do que o fato de ter sido eleito Presidente da Câmara uma nulidade severina cuja principal tarefa parlamentar era pedir aumento de salário, para impedir que o governo ocupasse o posto com um dos seus mais sinistros missionários. Deu no que deu, mas quase acabou sendo eleito, posteriormente, um oposicionista, não fosse aberta uma generosa temporada de bondades do executivo para atrair os votos “flutuantes” do prostíbulo brasiliense. Para usar as tão apreciadas metáforas futebolísticas, diríamos que política é assim mesmo: nem sempre é possível fazer o gol, então é preciso contentar-se com um tiro de canto; e se não der para estar com a bola, é marcar rijo o adversário; quem não faz, pelo menos tenta ver se não toma. O que não dá é para sair do campo e achar que com isso ganha alguma coisa. Eu sei, eu sei, há muito jogo sujo e suspeitas de que andam cooptando o árbitro, mas é preciso lutar, não fazer beicinho nem retirar-se para o vestiário.
Votar nulo equivale, na melhor das hipóteses, a uma estranha tentativa de vencer dando WO. Sempre aconteceu o contrário e, mesmo na Venezuela, onde havia muito mais razão para isso, a abstenção oposicionista deu a Chávez a possibilidade de espancar mais à vontade as liberdades individuais, respeitando formalmente a lei, e dando prosseguimento, sem maiores percalços, ao seu paranóico projeto “bolivariano”.
Na sua faceta obtusa, essa de votar nulo lembra aqueles sujeitos que quando o avião atrasa vão até o balcão da companhia aérea encher a atendente de desaforos. A pobre moça, simples funcionária, fica no “sim, senhor”, “vou comunicar, senhor”, “vou chamar o supervisor, senhor” e tome grito indignado, tome direitos constitucionais, tome direitos do consumidor, tome “isso não vai ficar assim” e pronto. Claro que vai ficar assim. O sujeitinho continua esperando o avião, avisando o mundo pelo celular para aguardá-lo porque foi vítima de uma infâmia e depois passará algum tempo contando como reagiu com veemência à desconsideração sofrida. O tráfego aéreo, porém, vai continuar o mesmo. Votar nulo é tão estúpido e impotente quanto isso. Não faz uma mocinha chorar, mas chuta o balde da democracia e o sujeito se sente importante porque mostrou braveza.
Já a outra faceta da coisa, a má fé cínica, certamente está presente neste caso em doses consideráveis. Se não for a inspiradora única da iniciativa é, pelo menos, a sua mais entusiasmada incentivadora. Eu arrisco um palpite que só chamo de palpite porque não tenho gravação e foto para provar. Quando se organiza uma campanha política, uma das chaves padrão é fatiar os públicos alvo da campanha segundo alguns critérios – faixa de renda, escolaridade, sexo, atividade econômica etc. – e determinar planos táticos destinados às diversas camadas e segmentos da sociedade. Depois do banho de escândalos que vimos acompanhando, em que perplexidade sincera, decepção, horror e moral farisaica se misturam num amálgama intrincado, qual seria a tática para abordar os mais revoltados e sensíveis a um dos mitos preferidos entre nós: o de que ninguém presta? Com certeza os indignados, os decepcionados e outras viúvas das próprias ilusões, não votarão no apedeuta. Então, cumpre procurar que não votem no “outro”.
Quando o Barão de Itararé lançou a sua conhecida frase: “Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos”, sabia o que estava dizendo. Como é muito difícil restaurar a moralidade, resta a segunda hipótese, mas agora com ar de indignação e plenamente justificada. Vejamos: no caso atual, também não é possível locupletarmo-nos todos – somos exatamente os pagantes para outros se locupletarem - então, como conseqüência, restar-nos-ia expressar a revolta num ato de abstenção ruidosa. Como perfeitos idiotas, ajudarmos a quem deveria ser o principal alvo da nossa fúria.
Sempre vi com extrema desconfiança a pregação de muitos amigos, com os quais comungo a maioria das idéias, contra o voto obrigatório, baseados em uma suposta liberdade de opção e ocultando a preconceituosa idéia de que os “simples” votam mal. Não enveredarei por esse tema porque seria longo e sem retorno para a questão principal, mas em relação à pregação vigente pelo voto nulo, não tenho dúvidas: faz parte de uma estratégia de redução do voto oposicionista, por mais inocentes “indignados” que embarquem nessa canoa. Como acredito que estas eleições ainda vão se tornar “calientes” à beça, creio que o voto nulo tenderá a diminuir e não a aumentar. Mas não se iludam: quem sente repugnância pelo mar de lama vermelha que aí está vote, como diz Olavo de Carvalho, no Chuchu; quem sonha com um socialismo meigo e generoso que jamais existiu, vote no sorriso doce da estridente senadora das manguinhas bufantes; quem curte idéias mágicas, tem à disposição o simpático e delirante ex-ministro da educação. Mas não chute a democracia votando nulo, porque isso seria conivência.
A propósito, eu vou votar no Chuchu com mais convicção do que jamais votei em toda a minha vida.

9 comentários:

Nemerson Lavoura disse...

Grande Free,
Fui convocado, e aqui estou! Já botei toda a (ótima) leitura em dia.
Um abração.

Saramar disse...

Free, que bom que voltou! Senti sua falta e dos seus artigos, verdadeiras aulas.

Não sei se é pai, mas se for, meus parabéns e meu desejo de que seja muito amado por seus filhos.

Obrigada.

Beijos
P.S. Depois que terminar de ler, voltarei para comentar.

Aluizio Amorim disse...

Freeman,

aqui estou para conferir as novidades. Bom retorno.

Abs
aluizio amorim

P.S.: Só anularia o voto se tivesse que escolher entre Lula ou Heloísa Helena ou assemelhados.
Portanto, votarei sim no candidato que, ao meu juízo, me dá segurança de que não irá ameaçar as liberdades democráticas. Ele é Geraldo Alckmin. Se anular o voto, estarei beneficiando Lula, o PT e seus sequazes, os quais ameaçam, sim, o estado de direito democrático. Odeio qualquer tipo de ditadura.

aluizio

José Alberto Mostardinha disse...

Viva:
Como sempre é um prazer vir aqui ver as tuas novidades.
Muito interessante.
Um abraço,


Novo artígo no EG.

Star disse...

Seja bem vindo Free!!!

Bom regresso e no momento certo, a coisa esta cada dia pior, o PT esta apelando pra qualquer coisa pra continuar no poder e colocar o mercador no governo de São Paulo, temos que ser fortes, porque se dependermos da oposição, estamos danados.

Beijo

MinasBlog disse...

O ANTI PT



Deixo aqui um convite e uma convocação:

Quem quiser acompanhar e debater as questões polêmicas que a disputa eleitoral para o governo de Minas Gerais traz, deve acessar o MinasBlog. Basta clicar no link a seguir: http://www.itvmg.org.br/minasblog O MinasBlog é um espaço democrático, informativo e interativo.

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Santa disse...

A lei eleitoral, artigo 2º, está bem claro: "Será considerado eleito o candidato a Presidente ou a Governador que obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos". Porque então eu anularia meu voto??

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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