quarta-feira, dezembro 05, 2007

Novos rumos?


Um fato econômico e quatro outros de natureza política sugerem que o vento favorável que embala o governo Lula, desde a reeleição, pode estar virando.

São eles:

Os indicadores de que a crise do sistema de crédito imobiliário dos EUA se aproxima dos bancos de investimento, intensificando sua reverberação sobre a economia global;

A derrota de Hugo Chávez no referendo que permitiria sua perpetuação no poder;


A pesquisa Datafolha demonstrando que cerca de 65% dos brasileiros se opõe à eleição por mais de dois mandatos para quaisquer presidentes;


A antecipação da renúncia de Renan Calheiros;


O elemento desagregador que a chegada do ano eleitoral de 2008 impõe sobre a base de sustentação do governo.


A bússola dos políticos tem sempre como norte magnético o poder.
No Brasil, em que a maioria dos políticos é congenitamente governista e em que o povo elege políticos pelo seu carisma pessoal e não por programas de governo, a conjuntura favorável e o apoio popular a um governante são um agregador em torno do presidente da República. E vice e versa. Isto é, numa conjuntura desfavorável e a perspectiva de perda de força política do governante, a dinâmica que se estabelece é desagregadora e de deserção dos mercenários apoiadores do presidente.

A leitura de fatos econômicos feita recentemente, deve ser vista com ressalvas. No entanto, apesar da injeção de bilhões de dólares do FED nas empresas de crédito imobiliário e bancos norte-americanos não parece suficiente para conter o aparecimento de notícias sobre a reverberação da crise para além do setor afetado. Insinua-se um quadro de desaquecimento da economia dos EUA, com inevitáveis desdobramentos sobre as gigantescas compras dos norte-americanos no mercado mundial e brasileiro. Os sinais são, ainda, insipientes. Mas, suficientes para disseminar tensão e a conhecida cautela que caracteriza o comportamento conservador dos mercados ante o risco de perdas.

Já os fatos políticos listados na seqüência de itens acima são claramente desfavoráveis a Lula.

Hugo Chávez é (ou era) o "novo" farol da velha esquerda mundial. Seu sucesso repercuti além fronteiras da Venezuela. Seu fracasso, idem. A perspectiva de perpetuação de Chávez no poder com a eventual aprovação popular da reforma constitucional proposta pelo populista venezuelano abria perspectivas de que o mesmo pudesse vir a acontecer com Lula, ainda que sob outras circunstâncias. Se a conjuntura econômica permitisse a continuidade do apoio popular ao presidente, as possibilidades de aprovação de uma mudança na Constituição brasileira por plebiscito, no mesmo sentido do projeto de Chávez, ainda que não viesse a se concretizar no Brasil, exercia força agregadora em torno do presidente. E vice e versa.

Se a derrota de Chávez fosse apenas um fato isolado, por si só já seria uma balde de água fria no projeto continuista do PT. Mas, agregou-se à onda contrária à re-reeleição, a pesquisa Datafolha revelando surpreendente e expressiva maioria contrária à perpetuação de Lula no poder. Não é possível afirmar que os favoráveis à perpetuação de Lula no governo são apenas eleitores petistas. Mas, o percentual coincide com o "tamanho da base do PT" na sociedade brasileira.

O impacto agregado desses dois recados dos eleitores venezuelanos e brasileiros extrapola as fronteiras de ambos os países, já que Lula, embora ofuscado por Chávez, também é referência mundial das esquerdas. Mas, no "mercado interno", os dois fatos somados jogam, na conta de chegada das equações estratégicas dos jogadores do poder, o cenário de fim do poder do petismo sobre o governo brasileiro (não sobre a política brasileira). Com isso, a maioria gelatinosa dos políticos brasileiros passa a buscar outros nortes para suas bússolas. E os virtuais nortes magnéticos apontados por sucessivas pesquisas situam-se no campo da oposição, mais precisamente, apontam para o nome de José Serra.

A esse fator desnorteador da base de sustentação do governo, somam-se os inevitáveis conflitos de interesses que jogam, uns contra os outros, nas eleições municipais nos estados, companheiros de jornada no apoio a Lula em Brasília. Assim, o interesse pessoal de garantir bases locais de poder assume prioridade nos critérios de decisão dos políticos, especialmente num contexto em que a derrota de Chávez e a pesquisa Datafolha precipitaram sobre o tabuleiro político a perspectiva do fim do governo Lula.

Finalmente, tudo indica que os estrategistas de Lula erraram as contas sobre a dose e o timing das jogadas táticas que patrocinaram. Ao deixar fluir a tramitação de emenda da re-reeleição às vésperas da votação da CPMF, Lula apostou tudo de uma só vez. Talvez colha nada como resultado. Isto é, nem re-reeleição nem CPMF.

A surpresa causada pela renúncia antecipada de Renan Calheiros, contrariando o interesse de Lula, que queria o plenário que votará a prorrogação da CPMF contaminado pela disputa pela sucessão na presidência da Casa, sugere que Calheiros não executou apenas um recuo defensivo que priorizou apenas a preservação de seu mandato. Parece que o cardeal alagoano caiu atirando e quis introduzir um elemento desagregador na base governista no Senado; talvez fatal para a voracidade fiscal do governo. Não é despropositado avaliar que Renan Calheiros tenha comprado a avaliação aqui feita, de que o projeto de poder do PT passa por usar e descartar os oligarcas políticos com os quais se aliou para eleger Lula e governar.

Se essa leitura está correta, Calheiros não renunciou apenas à Presidência do Senado, mas desertou, sem assumir explicitamente, da base governista. E mais. Se mais aliados - especialmente Sarney - estão fazendo a mesa avaliação, é possível que os "aliados" comecem a sabotar o governo por dentro, já que lutam pela vida contra a ameaça representada pela cobiça dos petistas pelo poder. Ou seja, por precipitação e erros de avaliação, Lula pode ter sepultado a CPMF. E, sem a CPMF, Lula pode ter sepultado suas pretensões continuistas.


O artigo original é de de Paulo Moura,  publicado hoje pelo blog do Diego Casagrande. Foi editado pelo Freeman.



terça-feira, novembro 27, 2007

Mais burrice ou outra esperteza petista?







Como quase tudo do PT, esta é uma história em que desde o início falta clareza.
Em meados de outubro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, revelou que o Banco Central e seu ministério estavam preparando a criação de um fundo soberano do Brasil.
Apenas para quem está chegando agora, fundo soberano é um patrimônio em moeda estrangeira, em geral, aplicado fora do país. Em um bom número de casos tem a função de impedir que um excesso de moeda estrangeira pressione o câmbio interno e, assim, valorize demais a própria moeda. É, por exemplo, a situação dos fundos do Chile e da Rússia. Em outros casos, procura rentabilidade melhor para parte das reservas. Assim é o fundo da China.
A falta de clareza está nas informações passadas pelo próprio ministro Mantega, de que o fundo brasileiro incorporaria reservas administradas pelo Banco Central, a serem usadas não só para cobrir projetos de infra-estrutura como para financiar compras de ações.
No governo Itamar, o ex-ministro Delfim Netto chegou a sugerir que reservas fossem utilizadas na construção de estradas. Logo se viu que isso não faria sentido por que não passaria de esquema de financiamento de obras públicas com emissão pura e simples de moeda. Se fazem parte das reservas, esses dólares já exigiram emissão de reais feita por ocasião da aquisição desses recursos. Se fossem entregues a empreiteiras, esses dólares teriam de ser trocados no câmbio interno para pagamento de fornecedores e de mão-de-obra e, assim, estaria configurado que esses investimentos seriam feitos com emissões.
Além do mais, reservas são reservas. Não podem ser usadas em investimentos de risco. E, se são administradas pelo Banco Central, não podem ser usadas como despesa pública, ainda que de boa qualidade. Seria o Banco Central exercendo funções de fomento, algo incompreensível num organismo cuja função é defender a moeda. Por isso, a lei o proíbe. Num segundo momento, o ministro Mantega explicou que o fundo não seria constituído com reservas. Seriam recursos novos a ser em adquiridos pelo Tesouro, que os repassaria para o BNDES, que, por sua vez, os reemprestaria a empresas brasileiras no exterior.
Logo se viu que um fundo desses não exerceria a função de evitar uma excessiva valorização do real. Teria um patrimônio não superior a US$ 15bilhões, volume que o Banco Central chega a comprar em um único mês. Também não ficou claro por que o BNDES precisa de recursos públicos externos tomados pelo Tesouro. O próprio BNDES tem cacife para comprá-los no câmbio interno ou, então, para tomá-los no exterior por meio de lançamento de títulos.
Finalmente também não ficou esclarecido por que empresas como Petrobrás, Vale do Rio Doce, Gerdau e Odebrecht precisariam se endividar com o BNDES se podem tomar esses recursos a juros provavelmente mais baixos no mercado global.
Enfim, essa história está mal contada e pode não passar de um arranjo destinado a encobrir alguma bruxaria fiscal. A nova esticada do dólar tem a ver com isso.

Artigo original de Celso Ming, foi editado pelo Freeman.

terça-feira, novembro 20, 2007

"Consciência Negra" ou "Vermelha"?




A demagogia dos políticos não conhece limites. Para angariar votos e oficializar vagabundices, não há o que eles não façam...
Mas, a instituição deste feriado de 20 de Novembro tem, também, outra finalidade que explicarei mais abaixo.
A autoria desse ato de sabedoria, como não poderia deixar de ser, é do PT. Se não me engano do deputado Paulo Paim (que por sinal não é branco, nem amarelo e nem negro) e, foi sancionado pelo nosso vagabundo-mór, o sidicalista, em 2003. É mais uma das aberrações deste lúdico país. Afinal, somos um povo rico, trabalhar para que?

Recentemente o Brasil foi classificado em péssimo lugar, em termos de produtividade, entre as nações emergentes. Somos campeões em número de dias de férias e feriados. Bilhões de reais são perdidos a cada ano com o festival de ócio instituido oficialmente. Isto, do setor voluntário, privado da economia. Imaginem as perdas do setor público, que contabiliza além do ócio oficial dos feriados, os "pontos facultativos", as férias em dobro, as "licenças premio" etc.. Está aquí, aliás, uma das razões da extrema demora em tudo que dependemos da máquina estatal.

Mas, mesmo não sendo este o cerne da questão, também poderíamos perguntar: se instituíram o dia da “consciência negra” por que não o dia da “consciência branca”, e o dia da “consciência amarela”?
Por que a discriminação?
Europeus e asiáticos tiveram enorme importância na formação do Brasil atual. No mínimo, a mesma importância dos negros.
Então, qual é “essa”, dos políticos?
“Essa”, dos políticos, é o seguinte: além da maioria desavisada aprovar a oficialização de tudo que é vagabundagem e puxa-saquismo ao eleitor, o PT, especificamente, segue uma cartilha maquiavélica: dividir para governar. E, entre os vários instrumentos para isso, sancionar como feriado o “dia da consciência negra” nada mais é que uma delas, cujo objetivo final é começar a estimular o racismo para outras finalidades.
Vocês podem pensar que é exagero de minha parte...Mas não é.
O fato, isolado, não significaria muito. Mas, no conjunto de outras ações deste governo do PT, é muito relevante politicamente.

Senão vejamos, é de iniciativa do PT:

  • a crescente doutrinação marxista nas escolas;
  • a não condenação de inúmeras violações constitucionais promovidas pelo MST;
  • o decreto “Quilombola”: uma sinistra e sorrateira, mas bem articulada revolução, que se serve da bandeira da luta racial para derrubar o direito de propriedade;
  • a proximidade e os elogios de Lula a “democracia” venezuelana;
  • as aspirações do sindicalista ao terceiro mandato; etc.,etc..

    Pensem e reflitam.
    Afinal, a consciência é negra ou vermelha?

sábado, novembro 10, 2007

Suas mãos são um rio...



Suas mãos são um rio.
Passam lentas e contínuas por mim.
Distraidamente, trazem lá de longe,
o limo.
E me louvam,
e lavam,
levam as feridas que julguei eternas.
Suas mãos são um rio.
Carregam flores e perfumam a dura lida
como língua de amante.
Mansas, passeiam em mim,
seu leito de se deitar.
E nas tempestades, ai meu Deus,
machucam, abrem a terra, arrancam raízes
e, violentas, invadem recônditos,
clareando tudo
chuva, rio, chuva, rio de me tomar.

* Não há nada melhor do que ler, num sábado chuvoso, poesias. Esta, das minhas prediletas, é da nossa cyber amiga Saramar.
A foto é do Freeman.

domingo, novembro 04, 2007

Brasil: corrupção e atraso.


Poucos da classe média se apercebem do problema. O povão, analfabeto e alienado, só está preocupado em garantir a cerveja e o futebol do próximo fim-de-semana. A grande maioria dos políticos brasileiros, além de não ter a menor intenção de enxergar e aprender, só olham os próprios bolsos ou suas respectivas cuecas.

Mas, no mundo real, no jogo de gente grande, o Brasil perde. E perde muito!
A quadrilha de analfabetos que dirige a nação, só sabe fazer proselitismo e demagogia, em relação a onda econômica positiva que varre o mundo.
Mas, de fato, não enxergam um palmo adiante do nariz. Estão perdendo – mais uma vez - uma oportunidade de ouro.

Assim como a História, a economia também não perdoa. No cenário mundial, no grande ringue da competição das nações, sobressaem os mais fortes, os mais preparados, os mais dinâmicos. O prêmio não é um simples troféu e um bonito diploma entregues num jantar festivo.
Nesta guerra de gente grande, os lugares de destaque significam, em última análise, a prosperidade de povos inteiros. Não é apenas estar incluído no rol das instituições mais estáveis e éticas, ou na lista das maiores corporações, ou dos grandes inventos, e outras conquistas importantes. É plantar, evoluir, consolidar e assegurar o futuro de gerações. Esta seria a verdadeira "política social".

É isso que os políticos brasileiros e, diga-se de passagem, raros sul-americanos conseguem enxergar ou pôr em prática. Raríssimos pensam a longo prazo. Preferem gastar na "bolsa esmola" e manter os seus currais eleitorais, do que criar bases para a autêntica prosperidade.

Dá para consertar?
Condições para isso o Brasil tem. Temos um mercado interno; um setor produtivo dinâmico e amplo; um grau de sofisticação e capacidade de inovação do setor empresarial muito positivos. É verdade que obtivemos isso a duras penas: apesar dos governos, apesar das instituições não-confiáveis e, apesar da sua corrupta burocracia.
Mas, poderíamos ter alcançado isso há 50 anos, ou há duas gerações... afinal, quem liga?

No entanto, ao invés de avançar na classificação dos países competitivos, recuamos. Por quê?
“Nossos indicadores mostram uma falta generalizada de confiança nas instituições públicas, causada pela falta de ética e à ineficiência burocrática” nos informa Irene Mia, responsável pela América Latina na edição 2007 do Relatório de Competitividade Global, do Fórum Econômico Mundial”.
Outro dado grave é o sistema educacional. Só conseguiremos utilizar todo o nosso potencial competitivo quando equacionarmos esse problema.

Entre outros agravantes do nosso atraso competitivo estão: os entraves burocráticos que tolhem em grande monta a atividade empreendedora; o impacto negativo da corrupção generalizada envolvendo “autoridades brasileiras”; os desmandos na gestão do dinheiro público, que acaba comprometendo a infra-estrutura do país; a legislação trabalhista que coloca o país como campeão mundial de processos legais, nesta área; e a própria morosidade do sistema judiciário brasileiro.

A classificação brasileira é, mais uma vez, ridícula. Entre 131 economias analisadas, o Brasil está em 72º lugar! Estão à nossa frente os outros 3 membros do chamado “BRIC”, China, (34º), Índia (48º), Rússia (58º), países que pelas suas características atuais competem diretamente conosco.
Na América Latina estão na nossa frente: o Chile (26º), Porto Rico (36º), México (52º), Panamá (59º), Costa Rica (67º) e Colômbia (69º).

Entram nessa avaliação 12 itens:
Instituições; infra-estrutura; estabilidade macroeconômica; saúde e educação primária; educação superior e treinamento; qualidade de mão-de-obra; eficiência do mercado e tamanho do mercado interno; sofisticação do mercado financeiro; preparo tecnológico; sofisticação empresarial e inovação.
Não há dúvida de que, em alguns desses parâmetros, a posição brasileira é boa. Entretanto, o que vale é a média do conjunto.

Elaborado com o objetivo de identificar os principais fatores que determinam o crescimento econômico e, explicar por que alguns países têm mais êxito que outros, o relatório do WEF tornou-se uma fonte de informações determinante entre as grandes corporações e mesmo instituições multilaterais, quando essas pretendem investir num país.

Ao invés de irem à FIFA em grande (e ridícula) comitiva, expondo-se vossas excelências à verdadeira essência de suas políticas públicas, ou seja: “para o povo pão e circo”, nossos governantes deveriam estar estudando, atentamente, as conclusões desse importante relatório econômico para pô-lo em prática e, assegurar às gerações futuras um nível de vida melhor e mais digno.

sexta-feira, outubro 26, 2007

A violência e a omissão do Estado.



Este é um assunto recorrente. Apesar da indignação geral, somos quase que impotentes e nos tornamos amorfos no cotidiano.
Um amigo me pergunta e, aproveito para reproduzir uma correspondência com o professor Miguel Reale, pouco antes dele falecer , em Abril de 2006.

Caro Professor Miguel Reale

Já há muito tempo desejo escrever-lhe para parabenizá-lo sobre seus artigos. Independentemente do assunto, eles sempre me pareceram objetivos, lógicos, repletos de civilidade e de bom senso.

Hoje, lendo o seu artigo: “A Violência e a Omissão do Estado” apesar de possuidor de todos esses atributos de excelência, não pude compartilhar com uma das suas conclusões, ou seja, de que a “exclusão social”, seria determinante como raiz da violência urbana. As outras: a omissão do Estado e a enorme influência da televisão no comportamento da sociedade posso concordar plenamente.

Não tenho dúvida, e concordo também que o perverso círculo vicioso da relação baixa educação / desemprego; das conseqüências sobre a incapacidade do Estado de prover os serviços básicos; e que as desigualdades sociais podem, em determinadas circunstâncias, criar ambientes de revolta.

Entretanto, no meu ponto de vista, o cerne da questão do aumento desproporcional da violência urbana têm outras causas.

As duas principais são: a escandalosa impunidade propiciada pela inoperância do Sistema Judiciário e o despreparo e corrupção existentes nas nossas Polícias.

Para reforçar esta conclusão, a estatística recente nos auxilia, em dois aspectos:
Primeiro, indicando que o poder de compra das classes C, D e E evoluiu significativamente nos últimos cinco anos, graças à estabilidade da moeda. E evoluiu apesar do crescente índice de desemprego na economia formal, no período 94/99. Isto é, a pobreza efetivamente diminuiu no Brasil, enquanto a violência cresceu exponencialmente.

Segundo, em outros dados, o Estado de S. Paulo ostentava, em 1999, o lamentável record de 203 mil veículos roubados. As companhias de seguro estimam que mais de R$ 500 milhões, em duas mil ocorrências, o roubo de cargas no país. Outros R$ 110 milhões foram roubados em portos, aeroportos em áreas de carga e transferência. E nesta rubrica, o Estado brasileiro vai além da omissão: é comprovadamente cúmplice nesse próspero negócio, com a participação ativa de funcionários da Polícia e da Justiça, conforme amplamente divulgado o ano passado.

A terceira referência estatística nos indica que apenas uma parte ínfima dos crimes cometidos é punido na forma da lei, o que significa que é a garantia de impunidade que gera o crime, e não a desesperada necessidade de sustento, como apregoam os políticos demagogos e os burocratas incapazes.

Além de exemplos significativos de ação de outros países que têm em muito menor grau a chamada “exclusão social”, uma consistente série de reportagens da jornalista Marinês Campos no ano passado, ajuda comprovar esta tese e aniquila “a velha lengalenga, politicamente correta, de que a violência reinante no Brasil não passa de um subproduto da miséria, agravada pelo desemprego inerente à globalização...” nas excelentes palavras do também jornalista José Nêumanne Pinto.

“O que produz o aumento assustador dos índices de latrocínio nas metrópoles brasileiras não é o impulso de matar a fome, mas o estímulo ao ganho fácil, quase sem risco. A explicação de que a violência resulta apenas da revolta provocada pela carência tem origem na falácia marxista de que a economia é mãe da política e da história, estando na raiz de tudo. O pai de família que desesperado vai a rua assaltar pode até existir, mas a soma dos que recorrem a este gesto extremo é insignificante estatisticamente. No entanto é muito mais cômodo continuar condicionando o crime à miséria, porque este é o melhor meio de evitar prestar contas da incapacidade do Estado de combatê-lo”.
Em resumo, este é o meu ponto de vista, caríssimo professor.
Entretanto, creio que temos um problema maior para combater a violência, seja qual for a sua origem.

Como executar seriamente políticas de combate à criminalidade quando esta está instalada nos poderes do Estado?
Milhões de reais são desviados, a cada ano, de suas finalidades públicas. Prevaricação, nepotismo, peculato, concussão, corrupção e até homicídios para ocultar provas e eliminar testemunhas são lugares comum nas entidades públicas brasileiras. Dos vereadores de São Paulo aos servidores do Judiciário de Mato Grosso, do Rio de Janeiro às Alagoas ou ao Pará... muito dos servidores públicos estão envolvidos em algum tipo de crime.
Como combater a violência eficazmente se o crime e a corrupção, além da ineficiência, estão arraigados nos órgãos que teriam obrigação de combatê-los?

A pintura é de Cândido Portinari "Criança morta" de 1944.

sábado, outubro 20, 2007

O Ministro da Educação e a doutrinação marxista.


Após longo e pioneiro trabalho promovido pela “Escola Sem Partido.org”, a grande imprensa parece começar dar atenção para o grave problema da doutrinação político-ideológica nas escolas brasileiras.

Ao analisar livros didáticos como “Nova História Crítica” e "Projeto Araribá, História Ensino Fundamental, 8”, artigos como os dos jornalistas Ali Kamel (O Globo de 18/09 e 02/10) e Reinaldo Azevedo (artigo no seu blog em 02/10) põem diretamente o dedo na ferida do cancro que tomou conta de grande parte do ensino brasileiro.

A doutrinação esquerdista nas escolas não é nova. Entretanto, agora está institucionalizada como quase todas as falcatruas que vêm desse leviano, populista, medíocre e corrupto desgoverno petista. E, é claro que eles negam, minimizam, desconversam e ocultam. É a surrada técnica dos comunistas quando flagrados com a boca na botija.

O fato verdadeiro é que as teorias do pai do totalitarismo perfeito, Antonio Gramsci, estão em pleno uso e tem suporte oficial, apesar da enorme cara de pau do fedelho que ocupa atualmente o posto de titular no MEC.

O advogado Miguel Nagib, coordenador do “Escola Sem Partido", foi muito delicado ao comentar a entrevista (não deixe de ler) do petista Fernando Haddad, o nosso ministro da deseducação, sobre o assunto (publicado nas páginas amarelas da Veja do dia 17 último).
Os comentários do senhor Nagib são precisos. Indica ele, ainda, uma ótima sugestão de como acabar com essa prática covarde e imoral que é a doutrinação ideológica de crianças e jovens:
“Se o Ministro da Educação estiver realmente disposto a acabar com a doutrinação ideológica nas escolas – e ele tem obrigação de fazer isto –, basta afixar em cada sala de aula do país um cartaz com a relação aos reais deveres dos professores.
Explico:
Ao lado da liberdade de ensinar está a liberdade de aprender, ambas asseguradas pelo art. 206 da Constituição Federal.
A doutrinação político-ideológica em sala de aula constitui claro abuso da liberdade de ensinar; abuso que implica o cerceamento da correspondente liberdade de aprender, já que, numa de suas vertentes, essa liberdade compreende o direito do estudante de não ser doutrinado. Ora, só um estudante consciente dos seus direitos e conhecedor dos deveres dos professores poderá defender-se contra a ação abusiva de professores militantes.
Aos direitos compreendidos na liberdade de aprender do estudante correspondem, entre outros, os seguintes deveres do professor:




  • O professor não abusará da inexperiência, da falta de conhecimento ou da imaturidade dos alunos, com o objetivo de cooptá-los para esta ou aquela corrente político-ideológica.


  • O professor não favorecerá nem prejudicará os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, religiosas, ou da falta delas.


  • O professor não fará propaganda político-partidária em sala de aula.


  • O professor não incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas.


  • Ao abordar temas controvertidos, o professor apresentará aos alunos, de forma justa – isto é, com a mesma profundidade e seriedade –, as diversas versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito.


  • O professor deve conhecer os argumentos e teorias de que discorda tão bem quanto aqueles em que acredita, a fim de poder apresentá-los como o faria se fosse seu defensor.


  • O professor não promoverá em sala de aula debates preordenados a corroborar a "verdade" ou a "superioridade" de determinada corrente política ou ideológica.


  • O professor não criará em sala de aula uma atmosfera de intimidação capaz de desencorajar a manifestação de pontos de vista discordantes dos seus, nem permitirá que tal atmosfera seja criada pela ação de alunos sectários “.



E ainda comenta: ”A esquerda que seqüestrou a educação brasileira não é velha nem nova: é a esquerda de sempre, aquela para a qual os fins justificam os meios. Portanto, para eles, não é errado abusar da inexperiência, da imaturidade e da falta de conhecimento de um jovem para fazê-lo empunhar as bandeiras da sua causa.

Não há como não concordar em gênero, número e grau com os comentários do advogado Miguel Nagib. Leiam abaixo, ainda, o artigo do jornalista Reinaldo Azevedo sobre o mesmo tema: “Esquerdopata, esquerdocínica ou esquerdiota? Ou os três?”.

"O ministro da Educação, Fernando Haddad, participou, nesta terça, de uma solenidade no Ministério da Saúde. À saída, indagado pelos repórteres sobre a manipulação ideológica dos livros didáticos, que vem sendo apontada pelo jornalista Ali Kamel, respondeu: “Não é uma opinião generalizada. O programa livro didático é muito elogiado; tem sido aperfeiçoado ao longo dos anos, e nós temos que respeitar a pluralidade de opiniões, né?” E emendou: “O MEC não professa ideologias. O MEC é guardião da liberdade e vai continuar sendo guardião da liberdade...” E achou que sua contribuição ao equívoco ainda era pequena, daí ter optado pelo complemento: “O Ministério da Educação só compra livros que são escolhidos pelos professores. Então, tem três soluções: manter a liberdade, censurar os livros ou trocar os professores. Eu fico com a primeira.”

Há várias coisas somadas aí. A menos grave, acreditem, é a apologia da ignorância em nome da pluralidade e da democracia. Leiam o texto de Kamel. Além da empulhação ideológica, há também o erro estúpido.

O ministro que tem “Haddad” no sobrenome acredita ser mera questão de liberdade de opinião afirmar, por exemplo, que a Arábia Saudita é um país xiita ou que os xiitas são mais “radicais” do que, por exemplo, os sunitas da Al Qaeda.

Mas vamos à questão que é mais grave. A estupidez esquerdopata, esquerdocínica e esquerdiota afirma que democracia se resume à vontade da maioria — vale a “democracia hitlerista”, por exemplo; ou “democracia mussolínica”; ou, por que não? chavista? Vejam lá: porque os professores escolheram (falarei já desse método), para ele, parece bem. Pergunta simples e direta? E se escolherem um livro fascista? Pode? Ou, sob certas circunstâncias, a “vontade da maioria” seria coibida em nome de outro valor, e o nosso homem não veria mal nenhum em “censurar" os professores? Aliás, não precisaria muito: um livro didático que apontasse o petismo não como a solução dos problemas — como faz aquele analisado por Kamel —, mas como um criador de casos teria alguma chance de ser adotado?

Democracia supõe instituições duradouras e um estado que, ao menos, se esforce para ser neutro. É próprio do regime que seja vincado por este ou por aquele partido que está no poder, já que se distinguem as políticas públicas. Mas esse vinco há de ser de superfície. Não se concebe que, em nome da vontade da maioria, se possa ensinar uma mentira. Leiam isto: “Em 1º de janeiro de 2003, o governo federal apresentou o programa Fome Zero. Segundo dados do IBGE, 54 milhões de brasileiros vivem em estado de pobreza. Em nenhum país do planeta existem tantos pobres vivendo entre pessoas tão ricas”.

Não temos aí uma mera questão de opinião. Temos uma fraude. Ou ainda: “Por que, apesar de tantos avanços tecnológicos, pessoas continuam morrendo de fome? É possível mudar essa situação? Os revolucionários russos de 1917 acreditavam que sim. Seguros de que o capitalismo era o responsável pela pobreza, eles fizeram a primeira revolução socialista da história. Depois disso, o mundo nunca mais seria o mesmo. Hoje, passado quase um século, o capitalismo retornou à Rússia, e a União Soviética, que nasceu da Revolução Russa de 1917, não existe mais. Valeu a pena? É difícil responder. Mas como dizia um membro daquela geração de revolucionários, é preciso acreditar nos sonhos.”

Viram só? Os revolucionários socialista eram, assim, uma espécie de antecipação de Betinho, eventualmente um pouco mais sanguinários.

Nota: as duas maiores fomes da história foram impostas ao “povo” por revolucionários socialistas: por Stálin, com a coletivização forçada da agricultura, e por Mao Tse-Tung, com seu “Grande Salto Para a Frente”.

A afirmação, pois, é uma picaretagem, uma falsificação histórica, uma mistificação ideológica. Mas Haddad, o “democrata”, acredita que é preciso ficar atento à opinião do que ele pretende seja uma maioria. E acusar de censor quem aponta a fraude. Não é por acaso que, nas universidades federais que estão sob o seu comando, a mistificação também corra solta. Já demonstrei aqui o que andam fazendo com os vestibulares nessas instituições. Trata-se de testes ideológicos. Já disse: sou eu só aqui, de bermuda e chinelo. Já passou da hora de o jornalismo investigar como é feita a seleção desses livros:- quem os envia aos professores?- Há uma pré-seleção?- as editoras fazem seu lobby nas escolas e aguardam a resposta dos professores?- quem é o encarregado, no ministério, de ouvir os professores?- participa quem quer?- quando e em quais casos um livro pode ser retirado do programa?

Questão de fundo. Sim, é preciso voltar às teorias do pai do totalitarismo perfeito, Antonio Gramsci, aquele segundo quem as verdades do “partido” deveriam se consolidar como um “imperativo categórico”, um “laicismo moderno”. Isso está em curso. Os professores saem da universidade com os miolos entupidos de submarxismo — no caso das lojinhas disfarçadas de faculdade, sustentadas pelo ProUni, nem isso — e depois vão escolher livros, comprados pelo estado, que serão distribuídos aos estudantes. Os professores-autores, por sua vez, repetem as mesmas falsidades que lhes foram sopradas aos ouvidos no curso de graduação. E o ciclo se fecha. E depois nos espantamos todos que a escola brasileira seja tão ruim.

Haddad, à diferença do que diz, não está “mantendo a liberdade”. Está é estimulando a indústria da ignorância e da mistificação ideológica. Compreendo: ele é parte disso e só por isso é ministro da Educação. É um dos esbirros de um projeto de poder. A pluralidade em nome da qual ele fala é discurso único: de esquerda.

Para finalizar, um comentário genial de uma leitora do Reinaldo:
“À sua pergunta no título do post (Esquerdopata, esquerdocínica ou esquerdiota? Ou os três?) a resposta é indubitavelmente a segunda: aplicam-se SEMPRE as três adjetivações. São qualificativos perfeitos para esse tipo de animal que se proliferou em razão do ímpeto reprodutivo daqueles que são alimentados peles tetas do Estado e pela corrupção”.

segunda-feira, outubro 15, 2007

O atlas das Liberdades.


clique no mapa

Voltando às estatisticas, estas são muito mais importantes...
Talvez não sejam absolutamente precisas, mas nos dão uma boa noção de como os estados nacionais se comportam...

(apesar de já conhecer a publicação, o crédito vai para o ótimo "blog da sabedoria" onde recentemente ví o link)

sábado, outubro 06, 2007

O segundo aniversário...Socorro!



Tá dificil...
Em matéria de política está simplesmente DESANIMADOR!
A cada mês que passa, as coisas só pioram no que se refere a ética das instituições, ao caráter dos políticos e a distorção da verdade...
Desde que o PT assumiu o poder, o que era exceção virou regra...
Institucionalizou-se a mentira e o roubo...Glamurizou-se a estupidez. Festeja-se a estultice.
A mesmice fétida espalhou-se dos sindicatos para o resto do país...
Não sobra NADA! Congresso, Executivo, Judiciário...
É simplesmente MUITA MEDIOCRIDADE e MUITA SEM-VERGONHICE, para um só país !
Confesso que entro no terceiro ano do blog sem muita esperança no Brasil...
Não fosse a lembrança da "tarefa de Isaias", o negócio seria parar...
Creio que é por isso que tenho postado tão pouco...

Opa!
Mas, pensando bem, a vida não é só política...(embora intuitivamente, basta ter conciência de que, sendo este o seu país, para não conseguirmos nos livrar de uma permanente sensação de asco e nojo).
Bem... (respirando fundo) mesmo assim, num esforço de auto-preservação, creio que vou mudar de praia por uns tempos...
A praia aí de baixo...


A minha nova praia...

...além da praia, a foto é uma homenagem a simplicidade da alma feminina...

domingo, setembro 16, 2007

Estatísticas mundiais? Yes, please...



Quem disse que estatísticas são monótonas?

Algumas são impressionantes quando atualizadas a cada segundo...

Não acredita? Dê só uma olhada...