quinta-feira, setembro 14, 2006

Um Lago no Céu.






Ah! Se fosse possível brincar contigo num lago no céu!



PS: Este pequeno lago realmente existe e a foto é do Freeman.

terça-feira, setembro 05, 2006

O Lixo Pedagógico


Há dois anos, um pequeno grupo de pais e estudantes preocupados com acontaminação ideológica de nossas salas de aula decidiu fazer algo para combater essa grave ameaça ao ensino. Criaram, para isso, uma organização informal que, a exemplo de tantas iniciativas nos dias de hoje, se materializou numa página da internet: o www.escolasempartido.org. O Escola Sem Partido, baseia-se na premissa de que, numa sociedade livre e pluralista (como diz ser a nossa), as instituições de ensino deveriam funcionar como centros de produção e irradiação do conhecimento, firmemente comprometidos com a busca da verdade, abertos às mais diversas perspectivas de investigação e capazes, por isso, de refletir, com a máxima fidelidade possível, os infinitos aspectos e matizes da realidade.
Isto, aliás, é o que estabelece, em outras palavras, a própria Constituição Federal, ao dispor que "o ensino será ministrado com base nos princípios da liberdade – de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber – e do pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas". Infelizmente, como sabemos, não é o que vem ocorrendo em grande parte das instituições de ensino no Brasil, da pré-escola à universidade. Imbuídos da crença de que um outro mundo é ainda possível, mas cientes, ao mesmo tempo, de que todas as tentativas históricas de implantar o paraíso na Terra, acabaram fracassando, alguns ideólogos perceberam que esse advento só seria possível se precedido de uma transformação na mentalidade das pessoas. E concluíram que essa transformação haveria de ser realizada, sobretudo, por meio da educação. Para a consecução desses objetivos, naturalmente, o educador do passado - para quem a educação era apenas uma forma de transmitir conhecimento objetivo sobre a realidade - deve ser substituído por um novo tipo de profissional.
De acordo com essa concepção - defendida, entre muitos outros, pelo Prof. Jefferson Ildefonso da Silva, doutor em Educação pela PUC/SP, em artigo acadêmico, reproduzido na seção "Corpo de Delito" do EscolaSemPartido -, o professor deve atuar em sala de aula como "intelectual dirigente e orgânico" (Antonio Gramsci). Cabe a eles - diz o Prof. Jefferson - "conquistar o lugar de intelectual dirigente e colaborar para a organização popular na sua luta por uma nova ordem social e econômica". Para isso, é necessário ultrapassar o "estágio romântico da consciência do professor", caracterizado pela idéia de "vocação", pelo "entusiasmo pela educação" e pela "crença no valor da ciência e do saber". É fundamental que o professor se conscientize de sua condição de "trabalhador do ensino". A partir desse momento, os professores "se organizam, se sindicalizam, provocam lutas massivas e fornecem um número elevado de militantes aos partidos de esquerda". Tomam consciência de ser "militantes de uma causa política, partícipes de uma nova insurreição, à qual deveriam dedicar-se com mística revolucionária que não é outra coisa senão um amor interno e profundo para com as massas exploradas e dominadas no passado". A consciência política, "imprescindível para que o conhecimento seja científica e tecnicamente organizado segundo os interesses populares, é o objetivo máximo de toda a formação do professor".Várias gerações de educadores foram e continuam a ser educadas segundo os cânones dessa pedagogia.

Em sua oposição democrática a esses cânones - assegurada pelo art. 206,incisos I e II, da Constituição Federal -, o EscolaSemPartido.org recebe e divulga depoimentos de estudantes que se sintam vítimas de doutrinação em sala de aula, garantindo ao professor ou instituição nomeada o exercício do direito de resposta. Além disso, o site - que é o único no gênero em língua portuguesa - pretende ser um centro de referência sobre o assunto, reunindo artigos, resenhas críticas de livros didáticos, atos normativos, debates, relatos e todo material relacionado ao problema da instrumentalização do conhecimento para fins político-ideológicos. O EscolaSemPartido.org tem despertado grande simpatia entre pais preocupados com a educação de seus filhos e estudantes que não se limitam a exercer opensamento crítico em relação aos alvos pré-determinados por seus professores. A iniciativa, no entanto, como não podia deixar de ser, desagradou muita gente. Grosso modo, nossos críticos se dividem em três grupos: os que se recusam a admitir a existência da doutrinação ideológica nas escolas; os que sabem que ela existe, talvez não concordem com a sua prática, mas por preguiça, acomodação ou solidariedade com a corrente política que a promove de forma organizada e sistemática se abstêm decondená-la; e, finalmente, os que a reconhecem e defendem sem pudor. Entre os dois últimos grupos, é comum a objeção, recentemente manifestada numa mensagem ao site, de que "todos nós temos ideologias, posicionamentos críticos frente a algo, não somos seres humanos vazios, temos as nossas crenças e valores que nos encaminham a algo". É verdade, mas isto não resolve o problema. A questão está em saber se professores, em sala de aula, devem dar livre curso às suas ideologias, crenças, simpatias e antipatias, na tentativa de moldar a cabeça de seus jovens e inexperientes alunos à sua própria imagem e semelhança; ou devem fazer um esforço permanente para conter essas tendências e se aproximar, tanto quanto possível, da objetividade científica. Além disso, impõe-se a pergunta: se a contaminação ideológica é, como dizem, uma realidade incontornável, não estariam as instituições de ensino moralmente obrigadas a promover o equilíbrio ideológico dos seus respectivos corpos docentes, dando aos estudantes a oportunidade de confrontar dialeticamente as diversas perspectivas de seus professores e extrair desse confronto uma visão mais rica e abrangente da realidade?
A nosso ver, as duas coisas são necessárias e moralmente obrigatórias. Cabe ao educador renovar diariamente o seu compromisso com a objetividade científica e é dever das escolas promover o equilíbrio de perspectivas político-ideológicas dos seus quadros de professores (é óbvio que no interesse dos alunos e não no dos integrantes dessa ou daquela corrente de pensamento), como forma de neutralizar os inevitáveis resíduos de contaminação ideológica. Nada disso, porém, está acontecendo. Refém da concepção pedagógica acima descrita, a maior parte das instituições de ensino - públicas e privadas, laicas e confessionais - sequer admite, por fraqueza ou cumplicidade, a existência ou a gravidade do problema. Quando confrontadas com denúncias concretas, negam os fatos ou tentam minimizá-los, tratando-os como episódios isolados. Os próprios estudantes, em reação sintomaticamente análoga à observada entre vítimas de seqüestros - a conhecida síndrome de Estocolmo -, assumem a defesa, quase sempre agressiva, dos professores acusados de doutrinação. Os alunos descontentes se calam. O medo de abrir a boca tomou conta da escola.
A educação no Brasil, como todos sabem, vai muito mal, mas os grupos que investem na doutrinação político-ideológica em sala de aula não têm do que reclamar. Seu portfolio contém investimentos de maturação lenta - crianças do ensino fundamental - e aplicações de curto-prazo - adolescentes na faixa dos 16 anos. Estudantes vampirizados no processo são automaticamente incorporados ao exército de voluntários, assegurando a expansão do negócio. Ao contrário do que sempre acontece, o governo não só não atrapalha, como incentiva, acoberta e patrocina a doutrinação. E os resultados estão aí, exuberantemente demonstrados pela morbosa uniformidade ideológica do cenário político e cultural brasileiro. Outubro se aproxima e esses grupos já se preparam para o vale-tudo das eleições. Se nada for feito, nossas salas de aula serão novamente seqüestradas por professores dirigentes e orgânicos, empenhados na transformação da sociedade e, mais diretamente, na conquista de votos para os candidatos e partidos de sua predileção. É inútil esperar do governo alguma providência. Cabe à sociedade e, de modo especial, aos pais e aos próprios estudantes, impedir que isto ocorra.

Nota do Freeman:
O advogado Miguel Nagib, coordenador do EscolaSem Partido.org pediu-me para ajudá-lo na divulgação desse seu artigo, cujo título original é: "Por Uma Escola Sem Partido". Apesar de não conhecê-lo pessoalmente, faço-o com enorme prazer e por várias razões:
A primeira, em reconhecimento ao excelente trabalho dessa organização que e a despeito da apatia e da preguiça de um grande número de pais, e da irresponsabilidade dos dirigentes de uma parcela consideravel de instituições de ensino, põe, corajosamente, o "dedo na ferida" numa área de vital importância para qualquer Nação que queira ser civilizada.
A segunda, porque é necessário, mesmo em minoria, esclarecer e alertar esses mesmos pais indiferentes, do mal que esses pseudo-professores (e essas irresponsáveis instituições) estão fazendo com os seus filhos ao deturparem a verdade dos fatos e por não cumprirem a obrigação primeira de ensinar objetivamente.
A terceira, (mas não necessáriamente a última) porque apesar deste problema vir de longa data, nunca esteve tão crítico dado o absurdo baixo nível que chegou a estrutura educacional brasileira.

sábado, setembro 02, 2006

Uma pausa para o sábado...


Uma pausa para os olhos e para a mente...porque ninguém é de ferro, e a vida humana vai muito além dos fatos políticos.
E como, lamentavelmente, não temos com o que nos regozijarmos neste “front”, vamos dar asas à imaginação e alegrar mentes e olhos...principalmente olhos...

A ótima fotografia é de Chris Earle

quarta-feira, agosto 23, 2006

O Banqueiro e o Cardeal.


Duas figuras notáveis do cenário social brasileiro são o banqueiro Olavo Setúbal e o cardeal-arcebispo de Salvador e presidente da CNBB, Dom Geraldo Majella Agnelo. Dois homens que alcançaram a senectude com uma história pessoal de sucesso tendo desempenhado ativamente papéis na nossa história contemporânea. Por seu destaque e também pela idade avançada, deveríamos esperar desses dois senhores lições de sabedoria e ensinamentos práticos de ação positiva. Em vão. Suas idéias são o oposto do bom senso e o espelho medido do grau de alienação que tomou conta da elite brasileira, que perdeu não apenas o senso de realidade, mas o instinto de sobrevivência.

Na edição de 13 de Agosto da Folha de São Paulo encontrei um artigo do cardeal e uma entrevista do banqueiro. Quero comentá-los porque formam um material bastante didático para um estudo da determinação da grave decadência de que padece a sociedade brasileira. Se poderosos envelhecidos que exercem o poder em sua área de atuação não vêem a realidade como ela é, o que dizer dos mais jovens?
O Brasil está órfão de liderança.

Comecemos com a entrevista de Setúbal. Ele iniciou por afirmar que “o governo Lula acabou sendo um governo extremamente conservador”. É preciso abstrair o fato de Setúbal ser banqueiro e Lula um bom pagador de juros sobre a dívida pública. Lula seria conservador? Não! Tentou de todas as formas elevar a carga tributária, apóia abertamente o movimento guerrilheiro do MST e suas dissidências, alinhou a diplomacia brasileira com Hugo Chávez, Fidel Castro e o Foro de São Paulo, movimento em si absolutamente revolucionário, fez da compra de votos, via bolsa-família, sua base de reeleição, fazendo regredir as práticas políticas brasileiras ao tempo da República Velha. Isso sem esquecer que fez o Brasil mergulhar nas práticas fisiológicas e corruptas sem paralelo na história, com a instituição do mensalão, o aparelhamento do Estado para gerar recursos escusos para campanhas eleitorais e práticas como as que resultaram no escândalo chamado de Sanguessugas.

Ingenuamente, ou exercendo plenamente a sua senilidade, Setúbal vaticina que não há “nenhum sinal de tensão no sistema financeiro”. Ora, um analista minimamente interessado na realidade sabe que a reeleição de Lula servirá como ponto de partida para as reformas autoritárias que não conseguiu instituir, como a lei da mordaça, como a tentativa de tutelar a imprensa, o alinhamento mais forte com o regime da Venezuela, com uma hostilidade maior em relação aos EUA e com a expansão dos “direitos” incompatíveis com o livre mercado. Seria o preâmbulo da implantação adiada do socialismo e a prática inaugurada por Chávez de abolição da separação dos poderes. Chamar Lula de conservador, como fez Setúbal, chega a ser piada de mau gosto. Daí ele concluir que “não tem diferença do ponto de vista do modelo econômico. Eu acho que a eleição do Lula ou do Alckmin é igual”. Tem sim. Lula é um revolucionário cuja ação radical está latente e pronta para ser posta em ação. Alckmin não tem qualquer compromisso com o movimento comunista. São antípodas.

Setúbal tem uma visão idílica do Brasil: “Nunca o Brasil esteve tão bem como hoje. A educação, a saúde, tudo melhorou enormemente. Só tem uma coisa que piorou: a segurança pública. No meu tempo de jovem, havia um único ginásio, era ginásio do Estado, mas dizer que a educação era boa antigamente é uma grande ilusão. Tudo melhorou. O ensino melhorou, a USP melhorou enormemente em relação ao que era 50 anos atrás. A única coisa que realmente piorou foi a segurança pública”. É insensato imaginar que a USP, por exemplo, aparelhada para ser um viveiro de militantes revolucionários, melhorou em relação ao passado. E não ver que o ensino público fundamental e médio é uma sucata viva, que só tem compromisso com a doutrinação de esquerda, é não saber o que se passa. O Brasil progrediu em muitos campos, mas nunca o país esteve tão à mercê de aventureiros despudorados que não hesitarão em destruir o que se conseguiu para alcançar seus objetivos políticos.

Seu único senão é a segurança pública, mas não percebe que ela é a ponta-de-lança dos inimigos da sociedade aberta e o abre-alas da revolução. A violência que explodiu em São Paulo tem causas políticas. Mas Setúbal tem na ponta da língua uma explicação para ela, completamente alienada: “A principal razão é a explosão da natalidade. A taxa de natalidade ainda cresce de forma absurda no Brasil. Chegou a ser 5% o crescimento anual da população brasileira. Hoje ainda é muito alta. O Brasil precisa diminuir a taxa de natalidade. Mas nenhum político assume isso por causa de problemas religiosos”. E diz que o suposto problema tem origem na Igreja Católica que não recomenda o uso de contraceptivos.

É como se os bebês, ao nascer, já viessem armados de AR-15. Ridículo! A violência é um aleijão moral praticado por pessoas adultas, má intencionadas e movidas politicamente. Nada tem a ver com a taxa de natalidade e com os bebês. Aliás, as últimas pesquisas demográficas divulgadas pelos IBGE mostram que a taxa de natalidade no Brasil, mormente a de São Paulo, está no nível europeu. Setúbal se engana duas vezes, por julgar que a população está crescendo velozmente e por achar que o mal está na sua expansão.

Banqueiros só têm compromisso com a rentabilidade de seus bancos e não têm, em princípio, porque se transformarem em bons analistas sociais. Mas asneiras desse calibre vindo de um homem como ele, que praticou e conviveu com os méritos do capitalismo e conheceu de perto a vida pública, parece-me imperdoavel.


Já o cardeal Agnelo é outra história: ele representa a sagrada tradição que tem as lupas para ver a realidade e tem o estofo moral e a certeza metafísica que não podem levar a enganos. Por isso fiquei desolado ao ler a sua opinião exposta no artigo (“São Paulo, cidade sitiada”), em absoluto desacordo com o que aprendi da doutrina cristã e tenho visto nos documentos escritos pelo Santo Padre Bento XVI: “Em meio a tantas opiniões, fico com a maioria dos analistas sociais: está na injustiça, que, a meu ver, é um cancro que rói as entranhas da humanidade”.

Ora, alguém só cai no crime e no pecado pela fraqueza moral individual e pela má intenção. A frase do cardeal oculta a análise marxista da luta de classes que substitui as certezas cristãs. Um cristão sabe que o mal está sempre à espreita e que ele, o mal, é mais eficaz quando toma a forma de movimentos políticos. E que deve resistir ao mal. Quando o mal se assenhora do Estado, como houve em todas as experiências coletivistas, a sua eficácia foi total e a imagem cristã de que esse mundo é um Vale de Lágrimas alcançou expressão concreta na sua plenitude.

A tese do cardeal o leva necessariamente ao relativismo moral, fato que o faz inocentar algozes e transformar as vítimas dos facínoras em culpados pela violência que sofrem, em completa inversão das coisas. Nas suas palavras: “Inegavelmente, a existência da flagrante injustiça reinante no Brasil faz surgir novas lideranças, boa parte delas surgidas dos guetos gerados por essa mesma injustiça. Não adiantou nos fecharmos em condomínios, comprarmos câmaras para nos livrar do ‘inimigo’, pois ele está no meio de nós, e nós subestimamos a sua inteligência. Ele aprendeu a corromper, a comprar pessoas e instituições; ele nos causa medo, pois atinge nossos filhos, atinge a todos nós, e agora ataca até mesmo a instituição criada para nos defender. Estamos reféns. Quem pagará nosso resgate”? Como cristão eu diria que Cristo pagou nosso resgate, mas não se trata dessa certeza escatológica aqui.

Não satisfeito ainda reconhece legitimidade aos meliantes em pôr em dúvida as instituições que representam a democracia. Escreveu: “Impressionou-me o depoimento de Marcola, no qual disse que sua ‘escola’ fora a dos exemplos vindos de poderes constituídos, corrompidos e corruptores. Não terá ele razão? Essa escola não atingiu só o PCC: tem atingido toda a sociedade. Ser honesto passou a ser sinônimo de tolo, de débil mental. Mas não existe só essa escola apontada por Marcola. Nós criamos muitas outras, e por elas caminhamos”. O cardeal coloca no mesmo patamar o criminoso muitas vezes apenado e as instituições da democracia. É nivelar por baixo. Marcola não tem autoridade alguma para julgar nosso sistema político. Na verdade, para nada.

O delírio do cardeal é tão grande que inventou até novas formas de pecado, algo absolutamente alheio aos textos sagrados, se supusermos que o que Lênin e Marx escreveram nada tem de sagrado e seus escritos não são canônicos. Nas suas palavras: “Penso que hoje não podemos apenas falar de pecado social. Há também um pecado estrutural, presente nas instituições governamentais mais representativas. E isso se faz notório quando percebemos que, mesmo enxergando a calamidade que está dentro de nós, continuamos tentando encobrir o sol com a peneira, como se tivéssemos controle do tsunami que se formou no meio do oceano social”.

Pecado social? Pecado estrutural? Ora, o que é isso, cardeal? Pecado, pelos verdadeiros ensinamentos da Igreja, é algo que tem a ver apenas com indivíduos e só o marxismo-leninismo é que poderia, por uma analogia assaz grosseira, usar essas expressões. Um homem de fé e cultuador das Escrituras não poderia cair em um erro como esse.

Sua conclusão não poderia ser mais insensata, invertendo a realidade das coisas: “Não há tempo para apontar culpados e vítimas. Todos somos culpados e vítimas - e, diria melhor, somos vítimas de nossas culpas”. Será que o cardeal ainda não descobriu de que lado está? Que há o bem e o mal? E que o mal em política hoje responde pelo nome de coletivismo? E que Marcola e seus “soldados” estão a serviço do mal? Será tão difícil assim distinguir a virtude do vício? Ao misturar tudo no mesmo saco penso que o cardeal prestou um grande serviço ao Inimigo de Deus.



* Notas do Freeman:

  1. Eu já havia esboçado um artigo comentando (menos diplomaticamente, digamos) a entrevista e o artigo aqui referidos, quando lí esse excelente artigo do Nivaldo Cordeiro no Mídia Sem Máscara. E está óbvio qual escolhí publicar...Está minimamente modificado, mas o mérito é todo do Nivaldo.
  2. Depois a Igreja Católica não sabe porquê está perdendo fiéis...
  3. Se algum dia eu começar a manifestar opiniões como essas do banqueiro e do cardeal, deixo aqui, de antemão, autorização formal para qualquer leitor internar-me num hospício ou inscrever-me como membro do PT, o que dá quase na mesma...

domingo, agosto 13, 2006

Obtusidade cívica ou cínica má-fé?














De volta, infelizmente, e com os pés na terra, enxergo que nada mudou para melhor no nosso horizonte institucional e político. Pelo contrário, a confusão instituida pela era PT do que é ético, correto, verdadeiro, parece que só piorou! Neste país que adora ciglas, a violência "coletiva", por exemplo, antes restrita ao MST dá lugar a uma organização concorrente, creio, também do próprio governo, conhecida aparentemente como PCC...Pretendo ainda me informar melhor...
Se isso se confirmar, nós liberais até que deveríamos estar contentes, pois onde há livre concorrencia o preço tende a baixar e o serviço a melhorar...Logo, poderemos estar escolhendo entre ser trucidado pelo MST ou pelo PCC...
E neste retorno, para saudar os estrategistas políticos de plantão, só me resta transcrever (ligeiramente editado) um excelente artigo do João Nemo, publicado no "Midia Sem Máscara".
Portanto, nada de preguiça: LEIAM!!!

Há não muito tempo, com a elegância que caracteriza os seus textos, Percival Puggina criticou a campanha que tem pipocado na Internet, prescrevendo como antídoto da imoralidade política, o voto nulo. A idéia em síntese é: a coisa está tão ruim que deveríamos todos votar nulo e inviabilizar as eleições.
Vivemos, há pouco, o período da copa do mundo, quando até minha sogra (a do Nemo, não a minha), que não distingue bola de futebol de bola de gude, se meteu a dar palpites táticos e de escalação. Parece que época de eleição também promove o mesmo efeito, gerando novos e brilhantes estrategistas que passam a promover idéias geniais como essa.
Se isso pega, estaremos submetidos ao risco de vir a reeleger este governo absurdo, avalizando todas suas estrepolias, entre elas a institucionalização do roubo e da impunidade. É exatamente a proposta que merece a célebre frase de Nelson Rodrigues: obtusidade córnea ou má-fé cínica!
Primeiro a obtusidade. Nesse caso estamos falando, muito tipicamente, daquele tipo de pessoa que fazendo cara de nojo lembra que “todo político é ladrão”, ninguém presta, a política é uma vergonha, etc.. A solução é ficar de longe, preservar a própria pureza e num embevecimento quase erótico com a perfeição moral da sua suposta virgindade, não fazer nada. Aliás, a virgindade, por definição, é estéril e muitas vezes o que parece virtude é aridez mesmo. A atitude descrita faz sentido para uma donzela: enquanto não aparece um cavalheiro digno da sua “mão” ela não se entrega. Então, essas donzelas do voto, não vislumbrando príncipes mas apenas enxergando sapos, acham que não devem se entregar e preferem correr o risco de serem estupradas junto com as liberdades individuais e as instituições democráticas. Numa reeleição estaremos flertando, mesmo, é com isso.
Assim como a donzela recusa “membros” menos nobres, alguns dirão que é preciso demonstrar repulsa aos membros do legislativo que transformaram, verdadeiramente, o parlamento brasileiro em uma casa de tolerância, que absolveram corruptos comprovados, que gastam dinheiro público em inutilidades e auto-promoção. É verdade. Nada ilustra melhor o nosso drama do que o fato de ter sido eleito Presidente da Câmara uma nulidade severina cuja principal tarefa parlamentar era pedir aumento de salário, para impedir que o governo ocupasse o posto com um dos seus mais sinistros missionários. Deu no que deu, mas quase acabou sendo eleito, posteriormente, um oposicionista, não fosse aberta uma generosa temporada de bondades do executivo para atrair os votos “flutuantes” do prostíbulo brasiliense. Para usar as tão apreciadas metáforas futebolísticas, diríamos que política é assim mesmo: nem sempre é possível fazer o gol, então é preciso contentar-se com um tiro de canto; e se não der para estar com a bola, é marcar rijo o adversário; quem não faz, pelo menos tenta ver se não toma. O que não dá é para sair do campo e achar que com isso ganha alguma coisa. Eu sei, eu sei, há muito jogo sujo e suspeitas de que andam cooptando o árbitro, mas é preciso lutar, não fazer beicinho nem retirar-se para o vestiário.
Votar nulo equivale, na melhor das hipóteses, a uma estranha tentativa de vencer dando WO. Sempre aconteceu o contrário e, mesmo na Venezuela, onde havia muito mais razão para isso, a abstenção oposicionista deu a Chávez a possibilidade de espancar mais à vontade as liberdades individuais, respeitando formalmente a lei, e dando prosseguimento, sem maiores percalços, ao seu paranóico projeto “bolivariano”.
Na sua faceta obtusa, essa de votar nulo lembra aqueles sujeitos que quando o avião atrasa vão até o balcão da companhia aérea encher a atendente de desaforos. A pobre moça, simples funcionária, fica no “sim, senhor”, “vou comunicar, senhor”, “vou chamar o supervisor, senhor” e tome grito indignado, tome direitos constitucionais, tome direitos do consumidor, tome “isso não vai ficar assim” e pronto. Claro que vai ficar assim. O sujeitinho continua esperando o avião, avisando o mundo pelo celular para aguardá-lo porque foi vítima de uma infâmia e depois passará algum tempo contando como reagiu com veemência à desconsideração sofrida. O tráfego aéreo, porém, vai continuar o mesmo. Votar nulo é tão estúpido e impotente quanto isso. Não faz uma mocinha chorar, mas chuta o balde da democracia e o sujeito se sente importante porque mostrou braveza.
Já a outra faceta da coisa, a má fé cínica, certamente está presente neste caso em doses consideráveis. Se não for a inspiradora única da iniciativa é, pelo menos, a sua mais entusiasmada incentivadora. Eu arrisco um palpite que só chamo de palpite porque não tenho gravação e foto para provar. Quando se organiza uma campanha política, uma das chaves padrão é fatiar os públicos alvo da campanha segundo alguns critérios – faixa de renda, escolaridade, sexo, atividade econômica etc. – e determinar planos táticos destinados às diversas camadas e segmentos da sociedade. Depois do banho de escândalos que vimos acompanhando, em que perplexidade sincera, decepção, horror e moral farisaica se misturam num amálgama intrincado, qual seria a tática para abordar os mais revoltados e sensíveis a um dos mitos preferidos entre nós: o de que ninguém presta? Com certeza os indignados, os decepcionados e outras viúvas das próprias ilusões, não votarão no apedeuta. Então, cumpre procurar que não votem no “outro”.
Quando o Barão de Itararé lançou a sua conhecida frase: “Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos”, sabia o que estava dizendo. Como é muito difícil restaurar a moralidade, resta a segunda hipótese, mas agora com ar de indignação e plenamente justificada. Vejamos: no caso atual, também não é possível locupletarmo-nos todos – somos exatamente os pagantes para outros se locupletarem - então, como conseqüência, restar-nos-ia expressar a revolta num ato de abstenção ruidosa. Como perfeitos idiotas, ajudarmos a quem deveria ser o principal alvo da nossa fúria.
Sempre vi com extrema desconfiança a pregação de muitos amigos, com os quais comungo a maioria das idéias, contra o voto obrigatório, baseados em uma suposta liberdade de opção e ocultando a preconceituosa idéia de que os “simples” votam mal. Não enveredarei por esse tema porque seria longo e sem retorno para a questão principal, mas em relação à pregação vigente pelo voto nulo, não tenho dúvidas: faz parte de uma estratégia de redução do voto oposicionista, por mais inocentes “indignados” que embarquem nessa canoa. Como acredito que estas eleições ainda vão se tornar “calientes” à beça, creio que o voto nulo tenderá a diminuir e não a aumentar. Mas não se iludam: quem sente repugnância pelo mar de lama vermelha que aí está vote, como diz Olavo de Carvalho, no Chuchu; quem sonha com um socialismo meigo e generoso que jamais existiu, vote no sorriso doce da estridente senadora das manguinhas bufantes; quem curte idéias mágicas, tem à disposição o simpático e delirante ex-ministro da educação. Mas não chute a democracia votando nulo, porque isso seria conivência.
A propósito, eu vou votar no Chuchu com mais convicção do que jamais votei em toda a minha vida.

segunda-feira, julho 24, 2006

Diário de Bordo


Nada como planar sobre as núvens num amanhecer! Só você e o silêncio. E a imensidão da natureza a nos mostrar como somos ínfimos e frágeis...
Como é bom voar. E voar em todos os sentidos...Longe, longe de tudo...Só você, a sublime beleza da mãe Terra e o silêncio...o silêncio...o silêncio...esse engrandecedor da alma humana...

segunda-feira, julho 17, 2006


Com licença, fui viajar!

Nota do redator: Dia 29 de Junho deveria ter sido publicado um desenho semelhante, com a mensagem acima. Como isso não ocorreu "emprestei" hoje, obviamente muito atrasado, um, do sempre ótimo blog da Sabedoria.

quarta-feira, junho 28, 2006

Sem palavras...



Como diz o velho ditado: Uma imagem é melhor do que mil palavras...

A fotomontagem recebí por email. O autor parece ser o identificado.

domingo, junho 18, 2006

O inimigo dentro de casa


Tenho tentado, de várias formas, manter uma postura positiva enquanto observo como as instituições políticas e seus personagens vêm se deteriorando no Brasil. Mas confesso não tem sido fácil.
Escuto, diariamente, as mais variadas pessoas lamentarem as notícias de corrupção, de criminalidade, a ausência total de ética, a impunidade reinante, o esbulho tributário, o massacre burocrático e assim por diante. Geralmente acabo contribuindo com a minha dose pessoal de queixas, tentando conferir alguma racionalidade à chorumela, procurando encontrar uma lógica para as nossas mazelas e contribuir com alguma proposta para que se vislumbre uma solução.
Mas temo que, ao recusar a indefectível frase que costuma suceder a esses lamentos – “este país não tem mais jeito” – eu acabe parecendo ingênuo ou sonhador, tal o volume do mal- estar que se apodera de qualquer pessoa, medianamente sensata, vivenciando o cotidiano brasileiro.

A semana passada, diante de nova notícia de um triste episódio, não pude escapar a mais uma lamentável analogia com a política. Havia acompanhado, com náusea, as notícias do caso da garota que planejou e ajudou a matar os pais a pauladas. As discussões jurídicas são bizantinas: prorrogar ou não a prisão preventiva; prisão domiciliar; guarda da herança, etc.. A maior dúvida jurídica parecia se referir a insistência de parte dos advogados para que sejam separados os julgamentos. Se dermos uma leve espanada nas firulas é claro que a realidade é apenas uma: trata-se de um crime monstruoso, o assassinato de duas pessoas dormindo, idealizado pela perversidade da própria filha e por motivação óbvia: sexo, drogas e deformação moral. Tudo mais é conversa fiada de advogados.

No mesmo noticiário aparecem as cenas da invasão do Congresso Nacional por uma horda, aparentemente alucinada, mas certamente dirigida, com paus e pedras destruindo tudo que vêem pelo caminho. Trata-se, obviamente, de um “movimento social”.
Na verdade, o que choca na cena é vê-la ao vivo e em cores, porque episódios como esse têm ocorrido neste Brasil de MSTs em quantidade crescente. Nós pagamos por eles, querendo ou não! Esses desordeiros impunes vêm sendo, de longa data, cevados com verbas públicas! O que podemos esperar quando o partido do governo e as lideranças dos “movimentos” se confundem e se sobrepõem?

A propósito, muita gente pensa que foi uma gafe cometida porque comprometeria a imagem do governo e do seu partido num momento inoportuno. Eu também gostaria que fosse, mas infelizmente está mais para uma técnica de intimidação do que qualquer outra coisa. Logo ouviremos dizer que “somente Lulla” é capaz de controlar esse pessoal de ânimo mais exaltado.

Voltando a analogia, a triste história da Justiça no Brasil nos indica que, por mais banais ou horrorosos que sejam, o que passa logo a prevalecer sobre os crimes, não é a sua essência, a sua veracidade. São, na esfera pública, além do estrito corporativismo entre os poderes e a troca deslavada de favores, os ritos, os formalismos processuais, sempre embebidos no labirinto das condescendências, das procrastinações que, ao fim, sabemos aonde vão dar: em nada! Ou, no máximo, numa punição incrivelmente modesta para o fato. Neste país, feito para os réus, para os contraventores da lei basta ter um advogado esperto e dinheiro para pagá-los. O que temos, na verdade, é um país onde crime e castigo guardam uma relação apenas acidental, o que leva, obviamente, os criminosos a se tornarem cada vez mais auto-confiantes e a maioria dos cidadãos desnorteados e ao desalento.

Ora, que uma filha pervertida e dois canalhas cometam um assassinato com olhos na herança é uma coisa horrível, mas possível de entender em razão do próprio qualificativo dos autores. O que me assusta é que o nosso sistema jurídico, além de começar a julgar o caso somente três anos e meio depois, permita que os advogados possam adiá-lo simplesmente ao retirem-se do recinto. Isso é um acinte e uma barbaridade contra a sociedade tão grande quanto o crime cometido.
Da mesma forma, pode ser difícil cobrar bom senso de analfabetos e sociopatas que, aliciados por qualquer bolsa-esmola são levados a vandalizar propriedades públicas e privadas. Mas que os responsáveis pelas nossas instituições se omitam escandalosamente e que gente supostamente normal vá se acomodando sem reação a tais coisas, achando maneiras de fingir que elas não têm a gravidade que têm, representa a verdadeira destruição.

Assim como os pais assassinados, as nossas instituições também estão sendo assassinadas por terem o inimigo dentro de casa! Os ocupantes dos três poderes da República, com raras exceções, são os inimigos da República!
O que de fato está matando o País é a destruição do caráter! Estamos nos tornando (sendo otimista concedo um gerúndio) uma nação de homens públicos pervertidos e povo desfibrado. Uns pela canalhice e pela cartilha ideológica; outros pela omissão, que se deixam iludir com encenações bobocas e declarações unilaterais de paz; que não expele os cínicos e os caras-de-pau das funções públicas através das quais nos humilham e nos servilizam. A certeza da impunidade que traspassa desde o menor infrator até o próprio apedeuta-mór, que vive rindo à toa confiante nas pesquisas, é um tapa na cara de quem ainda preserva princípios básicos de respeito e decência.
Estou entre os que não acreditam que as pesquisas anunciadas se confirmem, mas se isso acontecer, teremos perdido, coletivamente, a ambição de civilidade e o nosso caráter.

O artigo original é de João Nemo, publicado pelo Mídia Sem Máscara, sob o título: " Matando o País a pauladas". Foi editado significativamente por Freeman.

segunda-feira, junho 12, 2006

Namorar...



É admirar,
é brincar,
é buscar,
é se entregar,
é sonhar,
é compartilhar, 
é sofrer,
é viver...

para a Si,  minha maravilhosa namorada, esposa, e mãe de dois dos meus incríveis filhos...